segunda-feira, 12 de junho de 2017

Filipe Gonça


  Há dois anos o Porto d'Ave descia de divisão. Uma época em que falhou e, quando o Porto d'Ave falha, falhamos todos.
  No ano seguinte era necessário unir a 'Família' e esse período coincidiu com a mudança de direcção.
 Tuxa era, indiscutivelmente, o homem com o perfil que encaixava nessa necessidade. Quando soou o seu nome não tive dúvidas que era o presidente que o Porto d'Ave precisava naquele momento; foi com pena minha não o poder acompanhar, mas coincidia com um período em que, por motivos profissionais, não podia dar o contributo que me exijo quando assumo um compromisso dessa responsabilidade.
  Depois da escolha da direcção era necessário construir uma equipa motivada, mas não era muito provável que jogadores com a marca de campeonatos nacionais e com o sonho, sustentado na sua qualidade, de escalar mais alto, aceitassem voltar a jogar em campos pelados contra clubes onde o futebol ainda não saiu da forma mais artesanal, se é que me faço entender!
  Ficaram todos que foram convidados a renovar; tinham acabado de descer e sentiram a responsabilidade de voltar a trazer o Porto d'Ave para o escalão mais alto do futebol distrital. E fizeram-no de uma forma tão nobre, tão digna, mas sobretudo tão competente e brilhante, que por vezes até fico a pensar que aquela descida de divisão não nos diminuiu, mas pelo contrário, fez com que o Porto d'Ave regressasse ainda maior.
  Mas o verdadeiro motivo deste 'desabafo' é o que se segue:

  Filipe Gonça.


  Filipe Gonça foi o nome escolhido para agarrar o leme nesta viagem que hoje ninguém tem dúvidas que o navio vai seguro. A forma como usou a camisola do Porto d'Ave enquanto jogador merece-me a maior reverência. Mas não foi apenas dentro das quatro linhas que foi grande; respeitou o clube em todas as frentes, colegas, dirigentes, sócios e adeptos (ofereceu-me uma camisola do Porto d'Ave depois da derrota mais pesada em toda a história do clube, em Dume naquele dia 15 de Março de 2015 em que sofremos sete golos, e a forma como o fez traduz a sua maneira alargada de ver o Porto d'Ave que vai muito para além do rectângulo de jogo). Por tudo isso e muito mais, Filipe Gonça é alguém que eu fico feliz por ver nesse lugar.
  Mas, quando se fala do Porto d'Ave, quando é para decidir assuntos do Porto d'Ave, eu coloco em primeiro lugar o Porto d'Ave e apenas depois vem os amigos ou a família. E aqui, quando soou o seu nome, a sensação foi bem diferente da que tive quando soou o nome do presidente. Confesso que tive dúvidas, que tive medo! Filipe Gonça nunca tinha sido treinador e o Porto d'Ave tinha que subir de divisão, num campeonato que contava com várias equipas com o mesmo objectivo. Para subir era necessário ganhar os jogos quase todos e perder quase nenhum e Filipe Gonça era um nome muito arriscado! Mas a direcção arriscou e em tão boa hora o fez.
  Nunca me senti tão feliz por não ter razão!
  Não deve ser fácil liderar jogadores que foram colegas de equipa: Filipe Gonça conseguiu.
  Não deve ser fácil ser treinador inexperiente num projecto tão exigente como o 'ter' que subir de divisão: Filipe Gonça conseguiu.
  Não deve ser fácil ser treinador há apenas um ano, chegar ao escalão mais alto do futebol distrital, onde moram outros treinadores há vários campeonatos, e mesmo depois dum arranque negativo conseguir recuperar para a primeira metade da tabela chegando mesmo a espreitar o topo: Filipe Gonça conseguiu.
  Não deve ser fácil ser treinador num clube que sonha há quatro décadas com uma presença na final da taça da Associação de Futebol de Braga, com a missão complicada nesse percurso de ter que vencer no terreno do campeão da divisão nas meias finais: Filipe Gonça conseguiu.
  Obviamente que não conseguiu sozinho, e o mérito é de todos, mas dos jogadores eu nunca duvidei!
  Quero aqui dizer que as dúvidas de há dois anos desabafei-as apenas com uma ou duas pessoas, até porque eu queria muito estar errado, eu queria que desse certo pelo Porto d'Ave e também pelo treinador. Nunca me senti tão feliz por estar errado, porque esta época memorável que terminou sábado em Barcelos tem vários nomes, mas se tivesse que destacar um, seria aquele de quem eu teria dito que é muito arriscado e aconselharia alguém mais experiente caso me tivessem pedido opinião; esse nome é Filipe Gonça.

Obrigado meu amigo.


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Faltam 90 minutos



Faltam 90 minutos;

No início o Porto d'Ave era um sonho 
um sonho de muita gente
tornado realidade há quase 40 anos.

Nesse dia nasceram outros sonhos
que foram sendo realizados,
menos este que ano após ano manifestamos
e ano após ano
antes das meias finais
deixava de ser sonho
e era desilusão... era derrota...

Nunca o sonho chegou tão longe,
faltam apenas 90 minutos,
os 90 minutos mais importantes de uma história com quase 40 anos.
Nunca tanta gente acreditou como agora.

Acreditamos porque sabemos que dentro das quatro linhas
há uma verdadeira equipa
EQUIPA na maior elevação dessa palavra, 
unida, determinada, competente, mas não apenas competente,
uma equipa que sabe jogar ao som do violino,
mas quanto é necessário,
também sabe jogar ao som do tambor,
uma equipa feita de Homens que não se limitam a dizer que querem vencer,
como demonstram essa vontade em cada lance disputado,
e sabemos que vão fazê-lo ainda mais determinados desta vez.
Uma equipa feita de homens com a coragem
que combatem sem se desviar do perigo,
que sabem correr, sabem saltar, sabem rastejar,
homens com mestria mas também com garra, 
homens de coração valente.

Faltam 90 minutos,
e em cada lance de cada um daqueles 90 minutos,
tudo pode ser necessário para cumprir o sonho que carregam.
um sonho com quatro décadas
sonhado por toda esta família tão grande
que se orgulha daquele símbolo que transportam no peito,
o nome dessa família é Porto d'Ave.

Falta escrever o último capítulo desta epopeia gloriosa,
e há uma vontade inabalável de o escrever a tinta dourada.
Vamos estar lá todos, e aqueles que não puderem comparecer
estarão unidos nesta corrente que nos faz acreditar,
na certeza desta vitória que é de todos.
porque cada um de nós pode acrescentar uma estrofe,
cada um de nós pode gritar bem alto o nome que nos une,
PORTO D'AVE.

Faltam 90 minutos,
e em cada momento, em cada segundo,
estará no horizonte de cada um,
aquela Taça que nunca antes erguemos.

Acreditamos em vós, Equipa do Porto d'Ave,
acreditamos em cada um,
acreditamos porque nos fizestes acreditar,
força, coragem, vontade de vencer, são a vossa marca,
foram assim em cada batalha,
 durante toda a caminhada,
quanto orgulho no último jogo,
quanto orgulho pela forma como honraram esse símbolo que trazem no peito.

Faltam 90 minutos para ir buscar aquela taça
Ide buscá-la,
Ide agarrá-la com garra,
ide erguê-la bem alto,
tragam-na, tragam-na para Porto d'Ave.

Jogadores do Porto d'Ave,
esta missão está nas vossas mãos,
e não podia estar em melhores mãos,
vão lá, e vençam,
vão lá, e vençam,
VENÇAM.
VENÇAM

sábado, 3 de junho de 2017

Vamos erguer a Taça


Aproxima-se aquele que, para mim, é o momento maior da história do Porto d'Ave,
uma história que começou muito antes da sua filiação, há quase 40 anos;
É a vós, jogadores do Porto d'Ave, que me dirijo,
a vós que mereceis vestir essa camisola
que tanto respeito demonstrais por ela,
Por favor; ide agarrar aquela Taça;
todos jogos são para vencer,
mas não são todos iguais;
os dois que temos pela frente são daqueles que serão lembrados para toda a vida.
Vençam-nos,
vençam pelas vossas famílias que, quase todos os dias, se privam da vossa companhia por 'culpa' do futebol;
Vençam por cada um dos membros dessa equipa que, ao fim dum dia de trabalho, se juntam no nosso parque desportivo para treinar, para dar tudo em cada exercício para preparar os próximos desafios;
Vençam pelos dirigentes que não poupam esforços para que as condições durante treinos e jogos sejam as melhores;
Vençam por todos aqueles que, antes de vós, vestiram essa camisola e a ajudaram a ser grande e digna como é hoje;
Vençam por dirigentes e amigos do Porto d'Ave que deixaram lágrimas e suor nesse recinto, sobretudo por aqueles que deram horas e horas de trabalho duro, que deram muito mais do que tinham para dar, e agora vivem no outro lado da vida;
São, sobretudo esses, que não podemos esquecer;
Temos que lhes dar esta vitória,
Vençam por eles;
Vençam por essa camisola linda e honrada;
Vençam por esse símbolo tão nobre que trazem ao peito;
Vençam por vós
Vençam...
nós estaremos lá,
nós podemos gritar,
nós podemos apoiar,
Mas tereis que ser vós a meter o pé numa bola dividida, com coragem, com determinação,

Tereis que ser vós a entrar em campo equipados de vontade de vencer,
Tereis que ser vós a dar mais do que as pernas por vezes permitem se for necessário ultrapassar um adversário que se vai a isolar, ou chegar a uma bola que para um comum mortal possa parecer perdida;

Porque, se necessário for, vós ides ser mais do que comuns mortais,
Mais do que nunca, ides ser jogadores do PORTO D'AVE,

Ides ser uma equipa que carrega um sonho duma terra, 
um sonho dum povo que tem um orgulho enorme em se chamar PORTO D'AVE;
um povo jamais vos esquecerá,
e tantos que ainda vão nascer vão ouvir falar daquele dia em que erguemos a primeira Taça,
irão ouvir falar de vós, 

e também esses irão repetir os vossos nomes a filhos e netos.

Não existe glória sem estratégia,
Não existe glória sem talento,
mas isso não chega;
é necessário uma enorme vontade de vencer,
é necessário suor, esforço, sacrifício, dor
pode ser necessário deixar até sangue no campo
e sabemos que vós ides dar o que for necessário,
e ides agarrar aquela taça.
Esperamos de vós, porque acreditamos em vós,
porque sabemos do que sois capazes,
e isso faz-nos sonhar porque temos a certeza que vós ides tornar esse sonho realidade,
Um sonho com quase quatro décadas,
Um sonho tão grande, tão lindo, de tanta gente!

Falta pouco; 

falta pouco para que essa taça seja levantada por vós,
e ficareis vivos para sempre na história do Porto d'Ave,
tal como Camões escreveu:
“E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando:
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.”
(Luís de Camões)


Será assim convosco,
Sereis lembrados para sempre por todos que sentem orgulho em dizer esse nome tão grande:
PORTO D'AVE
Façam o que é para fazer
vão lá para dentro e vençam
vençam por nós, vençam por vós,
vençam por....
não importa por quem, mas vençam.... vençam
não parem enquanto essa taça não estiver bem segura nas vossas mãos,
Agarrem-na
VENÇAM... 
VENÇAM


domingo, 27 de novembro de 2016

G. D. Porto d'Ave - 38º Aniversário



DEUS quer, o Homem sonha, a Obra nasce.


     Aos 27 de Novembro de 1978, o Grupo Desportivo de Porto D’Ave torna-se o mais jovem clube da Associação de Futebol de Braga. Este foi um grande passo na vida da colectividade, mas não foi aqui que tudo começou. O Porto D’Ave nesta altura já era grande. Antes desta data, ninguém da nossa freguesia ficava em casa nos dias de jogo nos torneios que se realizavam em Castelões e Brunhais. Lembro-me de grandes tardes e manhãs de futebol nessa saudosa década de setenta como se fossem ontem. Na abertura dum torneio contra uma “potência” do futebol daquela altura, o Serafão, em que vencemos por 5 a 0. Também num jogo em Castelões contra o Gonça, quando antes do intervalo o resultado já era favorável aos “nossos” por 2 a 0, com ambos os golos apontados por Tuxa (da D. Laura) e de repente um “tornado” protagonizado pelos adeptos de ambas equipas impediu que o jogo chegasse ao fim. (também aqui ninguém nos vencia!!!). Aquela final contra o Travassos, em que vencemos por 2 a 1, sendo este o único golo sofrido em toda a competição. O Guardião quase imbatível desse torneio era o senhor Carlos Rufino, naquela altura “Caló”.

    Sempre que olho para a taça de campeões desse torneio, recordo todas as emoções que sentia. Haviam ainda poucos carros na freguesia, mas para acompanhar o Porto d'Ave as caravanas eram sempre enormes. As camionetas também eram necessárias para levar todos os adeptos e os que iam na carroça eram sempre os mais ruidosos. Havia duas bandeiras enormes com quadrados pequenos e mal feitos que estavam sempre presentes e o apoio à equipa era feito a cantar as lindas canções da nossa terra. O Porto D’Ave não era ainda federado, mas já era muito grande e eu, ainda criança, olhava para os rapazes das outras freguesias cheio de vaidade, pois eu era de Porto d’Ave e eles não. Já se cultivava o orgulho Portodavense.

     Neste tempo, contavam-se histórias do passado que me fascinavam e me fazia compreender que a grandiosidade do Porto d’Ave já vinha de longe. Falavam de jogos em que iam a pé e descalços, e só calçavam as botas, quem as tinha, para jogar. O resultado era sempre o mesmo; os “nossos” ganhavam. Às vezes também perdiam, mas esses episódios contavam-se em dois segundos, as vitórias é que importava recordar repetidamente sem que nada ficasse esquecido.

     Enquanto escrevo estas linhas, recordo imagens de homens que já não estão cá a festejar os golos e as vitórias. Quando a taça era nossa, e era quase sempre, enchia-se de champanhe e todos bebiam por ela. A festa durava até ao dia seguinte. Apesar de se repetirem em cada torneio, aqueles momentos eram únicos. Enquanto a festa durava, estavam esquecidas as amarguras da vida que afectavam grande parte da população, pois eram tempos difíceis.

     Uma das razões que tornavam o Porto D’Ave mais vencedor que os adversários, era o facto de nessa altura já treinar todos dias, pois não havia um final de tarde em que a bola não saltasse no terreiro dos divertimentos até ao anoitecer. Todos estavam convocados, e depois dum dia de trabalho árduo, a ninguém faltava energia para dar o litro atrás da bola.

     E foi graças a todo este entusiasmo que um grupo de homens da nossa terra reuniu para passar à fase seguinte, e assim nasceu o Grupo Desportivo de Porto D’Ave. Presto a minha homenagem e deixo aqui os meus agradecimentos enquanto Portodavense, a estes homens e muitos outros que, sem que o seu nome saísse do anonimato, foram imprescindíveis na criação do nosso clube. Penso que todos estes homens, há 
quase quarentaanos, já sabiam que estavam a criar este grande clube que tanto nos orgulha. Foram ambiciosos na aquisição dos terrenos que com dificuldade lá se foram pagando e que tão importantes foram para que se construíssem aquelas magnificas instalações. Os primeiros anos foram os mais difíceis, mas a união era tal que todas as barreiras foram ultrapassadas.

     Os jogadores do Porto D’Ave passaram a ser os ídolos das crianças da escola. No recreio, quando jogávamos à bola, marcávamos golos à Guilherme e à Gito, dávamos cabeçadas à Quim Moreira, fazíamos fintas 
à Pião, carrinhos à Firo, passes à Santos, caneladas à Araújo, defesas à Chico Fininho, etc. etc..

     Há uma história que se passou na minha sala de aula que demonstra o significado que o Porto D’Ave tinha para as crianças. Um dia a professora D. Graça mandou-nos fazer uma redacção sobre o que tínhamos feito no último Domingo. Cerca de metade da turma, sobretudo os rapazes, escreveu sobre a difícil vitória no complicado campo do Cav
ez, em que houve invasão de campo quando o árbitro validou um golo de Nano, um chapelão ao guardião adversário. O resultado foi 1 a 2 a nosso favor. A professora ao corrigir os nossos trabalhos, não acreditava que tantos miúdos de nove anos tivessem acompanhado o nosso clube tão longe e achou que tínhamos copiado o tema. Com os desenhos e os trabalhos manuais passava-se a mesma coisa; tanto a tinta da china, como em barro, nos têxteis ou em metal, tudo dava para fazer o emblema do Porto D’Ave.

     Nos primeiros anos a equipa de futebol sénior era a única a competir em toda a colectividade, mas com o passar dos anos foram-se reunindo esforços para que fosse possível ter escalões de formação, começando por uma camada de Juniores. Como os resultados eram positivos, outros escalões se foram acrescentando ao ponto a que chegamos há mais de uma dúzia de anos em que nos orgulhamos de ter todos escalões de formação onde também já escrevemos muitas páginas douradas.

     Hoje, com quase duas centenas de jogadores de várias idades, o nosso clube já não é só de Porto D’Ave, pois são muitos os sócios e adeptos das freguesias vizinhas. Possuímos um dos melhores parques desportivos de todos os clubes do futebol distrital bracarense, pois não houve até hoje uma direcção que não o melhorasse. Fomos brindados recentemente com o tão desejado “tapete verde”, mas sonhamos ainda com um segundo campo e um pavilhão gimnodesportivo para continuarmos a somar êxitos nesta caminhada. Sem grandes saltos, passo a passo, o Porto d’Ave nunca parou de crescer, tanto no património como no plano desportivo, e assim irá continuar.

     A grandiosidade do Grupo Desportivo de Porto d’Ave é hoje reconhecida por todos e não nos intimidamos quando temos que ombrear com clubes que representam nomes de cidades e sedes de concelho. Isto só é possível, porque a nossa camisola tornou-se de tal forma honrada, que muitos jogadores preferem vesti-la abdicando por vezes de avultados salários oferecidos por clubes que outrora tiveram nomes mais sonantes que o nosso. Também a nossa massa associativa tem características ímpares no apoio à equipa e, quando há mobilização para jogos mais importantes, os adeptos do Porto d’Ave tornam-se os melhores do mundo.

     O Porto d’Ave nasceu para ser grande, e já muito foi feito, mas há ainda muito a fazer para se tornar ainda maior e todos temos o dever de continuar o trabalho iniciado pelos nossos pais e avós, que criaram este clube e o ajudaram a crescer. A todos estes homens que deram os primeiros e mais difíceis passos, é nosso dever demonstrar gratidão, mas principalmente aqueles de quem o nome não consta em nenhuma acta e muito menos numa lápide. Que todos que fazem parte do nosso emblema e os que a ele se juntarem no futuro, saibam que em cada palmo daquele recinto estão lágrimas e suor de homens, alguns de idade bastante avançada e debilidade física, mas quando do Porto d'Ave se tratava, conseguiam inventar forças para trabalhar com o intuito apenas de ver o nome do clube do seu coração cada vez maior. Sem esses, o Porto d'Ave seria muito mais pobre, e a maior homenagem que lhes podemos fazer, é seguir o seu exemplo e nunca deixar de os recordar. A eles dedico estas palavras.
(Tó de Porto d'Ave)

   

"Enquanto os rios corram, os montes façam sombra e no céu haja estrelas, deve durar a memória do bem recebido na mente do homem grato."

(Virgílio)

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Real Confraria N. S. Porto d'Ave vs C. M. de Braga

Real Confraria N. S. Porto d'Ave vence duelo que se arrasta há quase três séculos contra Câmara Municipal de Braga.

Foram necessários mais de dois séculos e meio para ser encontrada a resolução do litígio que opunha a Real Confraria de Nossa Senhora do Porto d'Ave e a Câmara Municipal de Braga.
Foi em meados do século XVIII que a maior autarquia do Minho contraiu uma dívida que terá, finalmente, que liquidar.

Era normal, nesta época, que instituições públicas recorressem a créditos com juros reduzidos cedidos pelas irmandades religiosas. Desta forma, a câmara municipal de Braga bateu à porta da Real Confraria de Nossa senhora do Porto d'Ave para conseguir financiamento para a construção do edifício que ainda hoje é o local onde são tomadas quase todas as decisões daquele concelho.
O empréstimo foi concedido e desde essa data, Portugal viveu algumas revoluções com modelos de estado a ser derrubados para dar lugar a outros, e toda a confusão gerada ia dando jeito aos devedores que assim ganhavam tempo na esperança que esse mesmo tempo se encarregasse de apagar as dívidas da memória.
E se na “Cidade dos Arcebispos” se tentava empurrar o assunto para o fundo da gaveta, já naquele santuário Mariano que desponta sublimemente na margem direita do rio Ave, é tradição honrar-se os compromissos sejam eles favoráveis ou não, e nunca a quantia de que é credora foi esquecida. Era um duelo desigual e o assunto andou num complexo jogo jurídico até que, depois de empurra para cá e empurra para lá, a batalha chegou ao fim e, tal como no Livro de Samuel no Antigo Testamento, também aqui Golias acabou derrotado perante um adversário que julgou ainda mais pequeno que David quando o veredito final, com a maior clareza, condenou a autarquia da capital do Minho ao pagamento do montante cedido na época e, como os documentos do contrato confirmam, será acrescido da taxa de juro de 2% ao ano. .

 Neste momento não nos foram fornecidos números e muito menos o montante que fica após ser transformado no câmbio actual, mas se avaliarmos o edifício em questão situamo-nos aproximadamente na quantia que podemos estar a falar.
 Na verdade, não se pode dizer que foi feita justiça, pois vem tardia e o nosso santuário já teve que se privar de parte do seu património para financiar a preservação de vários monumentos. Seja como for, mais vale tarde que nunca.
  Perante a impossibilidade de recorrer desta decisão, a câmara municipal de Braga, em jeito de vingança, decidiu antecipar o a Noite Branca para o final de semana em que é realizada a Romaria de Porto d'Ave e não se irá privar de gastar centenas de milhar de euros, uma avultada quantia de dinheiro que não fica bem a quem devia preocupar-se primeiro em cumprir as suas obrigações. Uma atitude mesquinha e deselegante da parte dos responsáveis por este evento que não deviam acolher esta decisão como uma derrota, mas sim como um acto de justiça. 
Quanto à Romaria de Porto d'Ave, irá ser gasto apenas o dinheiro que é oferecido para esse fim e será como sempre foi: durante nove dias e nove noites terminando no primeiro Domingo de Setembro e sem dúvida alguma que continuará a ser uma das maiores Romarias de Portugal.











......

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

G. D. Porto d'Ave - 37º Aniversário


DEUS quer, o Homem sonha, a Obra nasce.


     Aos 27 de Novembro de 1978, o Grupo Desportivo de Porto D’Ave torna-se o mais jovem clube da Associação de Futebol de Braga. Este foi um grande passo na vida da colectividade, mas não foi aqui que tudo começou. O Porto D’Ave nesta altura já era grande. Antes desta data, ninguém da nossa freguesia ficava em casa nos dias de jogo nos torneios que se realizavam em Castelões e Brunhais. Lembro-me de grandes tardes e manhãs de futebol nessa saudosa década de setenta como se fossem ontem. Na abertura dum torneio contra uma “potência” do futebol daquela altura, o Serafão, em que vencemos por 5 a 0. Também num jogo em Castelões contra o Gonça, quando antes do intervalo o resultado já era favorável aos “nossos” por 2 a 0, com ambos os golos apontados por Tuxa (da D. Laura) e de repente um “tornado” protagonizado pelos adeptos de ambas equipas impediu que o jogo chegasse ao fim. (também aqui ninguém nos vencia!!!). Aquela final contra o Travassos, em que vencemos por 2 a 1, sendo este o único golo sofrido em toda a competição. O Guardião quase imbatível desse torneio era o senhor Carlos Rufino, naquela altura “Caló”.

    Sempre que olho para a taça de campeões desse torneio, recordo todas as emoções que sentia. Haviam ainda poucos carros na freguesia, mas para acompanhar o Porto d'Ave as caravanas eram sempre enormes. As camionetas também eram necessárias para levar todos os adeptos e os que iam na carroça eram sempre os mais ruidosos. Havia duas bandeiras enormes com quadrados pequenos e mal feitos que estavam sempre presentes e o apoio à equipa era feito a cantar as lindas canções da nossa terra. O Porto D’Ave não era ainda federado, mas já era muito grande, e eu, ainda criança, olhava para os rapazes das outras freguesias cheio de vaidade, pois eu era de Porto d’Ave e eles não. Já se cultivava o orgulho Portodavense.

     Neste tempo, contavam-se histórias do passado que me fascinavam e me fazia compreender que a grandiosidade do Porto d’Ave já vinha de longe. Falavam de jogos em que iam a pé e descalços, e só calçavam as botas, quem as tinha, para jogar. O resultado era sempre o mesmo, os “nossos” ganhavam. Às vezes também perdiam, mas esses episódios contavam-se em dois segundos, as vitórias é que importava recordar repetidamente sem que nada ficasse esquecido.

     Enquanto escrevo estas linhas, recordo imagens de homens que já não estão cá a festejar os golos e as vitórias. Quando a taça era nossa, e era quase sempre, enchia-se de champanhe e todos bebiam por ela. A festa durava até ao dia seguinte. Apesar de se repetirem em cada torneio, aqueles momentos eram únicos. Enquanto a festa durava, estavam esquecidas as amarguras da vida que afectavam grande parte da população, pois eram tempos difíceis.

     Uma das razões que tornavam o Porto D’Ave mais vencedor que os adversários, era o facto de nessa altura já treinar todos dias, pois não havia um final de tarde em que a bola não saltasse no terreiro dos divertimentos até ao anoitecer. Todos estavam convocados, e depois dum dia de trabalho árduo, a ninguém faltava energia para dar o litro atrás da bola.

     E foi graças a todo este entusiasmo que um grupo de homens da nossa terra reuniu para passar à fase seguinte, e assim nasceu o Grupo Desportivo de Porto D’Ave. Presto a minha homenagem e deixo aqui os meus agradecimentos enquanto Portodavense, a estes homens e muitos outros, que sem que o seu nome saísse do anonimato, foram imprescindíveis na criação do nosso clube. Penso que todos estes homens, há mais de trinta anos, já sabiam que estavam a criar este grande clube que tanto nos orgulha. Foram ambiciosos na aquisição dos terrenos que com dificuldade lá se foram pagando e que tão importantes foram para que se construíssem aquelas magnificas instalações. Os primeiros anos foram os mais difíceis, mas a união era tal que todas as barreiras foram ultrapassadas.

     Os jogadores do Porto D’Ave passaram a ser os ídolos das crianças da escola. No recreio, quando jogávamos à bola, marcávamos golos à Guilherme e à Gito, dávamos cabeçadas à Quim Moreira, fazíamos fintas á Peão, carrinhos à Firo, passes à Santos, caneladas à Araújo, defesas à Chico Fininho, etc.etc..

     Há uma história que se passou na minha sala de aula que demonstra o significado que o Porto D’Ave tinha para as crianças. Um dia a professora D. Graça mandou-nos fazer uma redacção sobre o que tínhamos feito no último Domingo. Cerca de metade da turma, sobretudo os rapazes, escreveu sobre a difícil vitória no complicado campo do Cavêz, em que houve invasão de campo quando o árbitro validou um golo de Nano, um chapelão ao guardião adversário. O resultado foi 1 a 2 a nosso favor. A professora ao corrigir os nossos trabalhos, não acreditava que tantos miúdos de nove anos tivessem acompanhado o nosso clube tão longe e achou que tínhamos copiado o tema. Com os desenhos e os trabalhos manuais passava-se a mesma coisa. Tanto a tinta da china, como em barro, nos têxteis ou em metal, tudo dava para fazer o emblema do Porto D’Ave.

     Nos primeiros anos a equipa de futebol sénior era a única a competir em toda a colectividade, mas com o passar dos anos foram-se reunindo esforços para que fosse possível ter escalões de formação, começando por uma camada de Juniores. Como os resultados eram positivos, outros escalões se foram acrescentando ao ponto a que chegamos há mais de uma dúzia de anos em que nos orgulhamos de ter todos escalões de formação onde também já escrevemos muitas páginas douradas. Mais recentemente ,o nosso clube torna-se ainda maior e mais bonito com a equipa de futsal feminino, onde na época passada conseguiram um brilhante título de Campeão Regional.

     Hoje, com quase duas centenas de jogadores de várias idades e ambos os sexos, o nosso clube já não é só de Porto D’Ave, pois são muitos os sócios e adeptos das freguesias vizinhas. Possuímos um dos melhores parques desportivos de todos os clubes do futebol distrital bracarense, pois não houve até hoje uma direcção que não o melhorasse. Fomos brindados recentemente com o tão desejado “tapete verde”, mas sonhamos ainda com um segundo campo e um pavilhão gimnodesportivo para continuarmos a somar êxitos nesta caminhada. Sem grandes saltos, passo a passo, o Porto d’Ave nunca parou de crescer, tanto no património como no plano desportivo, e assim irá continuar.

     A grandiosidade do Grupo Desportivo de Porto d’Ave é hoje reconhecida por todos, e não nos intimidamos quando temos que ombrear com clubes que representam nomes de cidades e sedes de concelho. Isto só é possível, porque a nossa camisola tornou-se de tal forma honrada, que muitos jogadores preferem vesti-la abdicando por vezes de avultados salários oferecidos por clubes que outrora tiveram nomes mais sonantes que o nosso. Também a nossa massa associativa tem características ímpares no apoio à equipa, e quando há mobilização para jogos mais importantes, os adeptos do Porto d’Ave tornam-se os melhores do mundo.

     O Porto d’Ave nasceu para ser grande, e já muito foi feito, mas há ainda muito a fazer para se tornar ainda maior, e todos temos o dever de continuar o trabalho iniciado pelos nossos pais e avós, que criaram este clube e o ajudaram a crescer. A todos estes homens que deram os primeiros e mais difíceis passos, é nosso dever demonstrar gratidão, mas principalmente aqueles de quem o nome não consta em nenhuma acta e muito menos numa lápide. Que todos que fazem parte do nosso emblema e os que a ele se juntarem no futuro, saibam que em cada palmo daquele recinto estão lágrimas e suor de homens, alguns de idade bastante avançada e debilidade física, mas quando do Porto d'Ave se tratava, conseguiam inventar forças para trabalhar com o intuito apenas de ver o nome do clube do seu coração cada vez maior. Sem esses, o Porto d'Ave seria muito mais pobre, e a maior homenagem que lhes podemos fazer, é seguir o seu exemplo e nunca deixar de os recordar. A eles dedico estas palavras.

(Tó de Porto d'Ave)

   

"Enquanto os rios corram, os montes façam sombra e no céu haja estrelas, deve durar a memória do bem recebido na mente do homem grato."

(Virgílio)

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Aylan - Uma imagem que fez tremer o mundo

 
  Depois de muito hesitar, porque só de pensar nisto dói, resolvi dizer algo em relação ao assunto do momento: 'Os refugiados que fazem a travessia do Mediterrâneo'; uma travessia entre o suicídio e uma escassa esperança numa vida longe do terror em que sobrevivem, fenómeno que agora tem um rosto e um nome: "Aylan."
  A humanidade está doente e a hora para combater essa doença, por cada minuto que passa, é fatal para muitos seres humanos que não são tratados como tal em tantos lugares deste nosso planeta, lugares esses que, apesar de estarem tão perto, olhamos para lá como se de outra galáxia se tratasse. 
  É urgente salvar os refugiados, mas estes são apenas parte do problema. Não são apenas eles que necessitam, que merecem e tem direito à nossa ajuda. Aqueles que continuam a viver (ou a morrer) nos locais de onde tantos fogem, neste momento com maior relevância na Síria, também têm direito a ser salvos.
  Já neste século, nas intervenções militares no Iraque ou Afeganistão, lugares que ainda tem muito que caminhar no sentido dos direitos humanos mas que, onde antes da eliminação dos monstros que lideravam politica e militarmente nestes locais, em algumas ocasiões, para se economizar balas, utilizavam químicos para fazer desaparecer aldeias inteiras duma só vez. Não era necessário cometer nenhum crime, bastava que algumas pessoas manifestassem descontentamento com o caminho que estava a ser seguido, e era fatal; pagava justo por pecador e dificilmente sobrava alguém para contar a história. 
   Mesmo assim, não faltou nem falta quem continue a dizer que ninguém tem o direito de intervir em nações que não são deles. De outra forma, aqueles povos continuariam abandonados à mercê da ganância desmedida e totalmente despida de escrúpulos de monstros que ocupavam as cadeiras dum poder que exerciam com a força das armas e do ódio, sem uma nesga de respeito ou piedade pelos outros.
  Essa hipocrisia tem que acabar. E se não for por respeito por tanta gente inocente a sofrer um pesadelo inimaginável, que seja por medo, porque isto um dia pode chegar aqui. Sim, aqui, porque a Europa não seria o primeiro local do mundo onde por exemplo as mulheres já puderam vestir-se livremente tal como nas nossas ruas ou praias, e hoje vêem-elas elas próprias e as suas filhas, obrigatoriamente, vestidas com a burka. Isto para não falar das sentenças atribuídas a quem se atreve contrariar estas e outras regras absurdas.
  Temos que acolher os que chegam, mas isso não basta, porque são muitos a chegar mas há dezenas de milhar a morrer pelo caminho e muitos mais são os que nem conseguem sair e continuam submetidos a uma vida de miséria e medo que o destino lhes traçou. Este número infinito de pessoas, seres humanos como nós, que tiveram o azar de nascer em zonas dum planeta ainda mais 'desumanizado', onde a vida caminha constantemente num infinito sofrimento, são de todas as idades; são crianças, adolescentes, adultos, idosos, que fogem das suas cidades, das suas aldeias, das suas casas, e não trazem nada com eles a não ser a esperança da nossa ajuda, para eles mas também para os que lá ficaram à espera dum milagre que depende de todos que tem algum poder para os ajudar.
  Todos podemos fazer alguma coisa, nem que seja apenas pôr um travão na hipocrisia e falar deste assunto com mais razão e sobretudo com gratidão por quem não fica de braços cruzados. A Europa não pode continuar à espera que mais uma vez os Estados Unidos resolvam sozinhos um problema que é de todos, para não falar que, por vezes, em situação idênticas num passado recente, ainda assistimos algumas pessoas com alta responsabilidade política a apontar o dedo à forma como a intervenção foi feita. Este problema é grave de mais e a resolução necessita da Europa e Estados Unidos e também países da América Latina, África, Ásia e até do Oriente, nações que queiram que a paz vença a guerra e se aliem, e juntos e determinados podem resolver o problema lá, onde ele existe.
  Curar apenas as feridas provocadas pelo monstro não chega; alivia a dor de algumas vítimas mas o verdadeiro problema permanece, continua a crescer e as vítimas serão cada vez mais. É necessário eliminar o monstro e eliminá-lo até à última raiz. Vai levar décadas, mas tem que ser um processo com princípio, meio e fim.

Só engrandecemos o nosso direito à vida cumprindo o nosso dever de cidadãos do mundo.”
(Mahatma Gandhi)

quarta-feira, 18 de março de 2015

Daniela Maia - 1ª classificada Concurso Literário António Celestino 2015




Daniela Soares Maia vence Concurso Literário António celestino 2015, no escalão “Terceiro Ciclo”
Daniela, uma menina que apresentou o trabalho aos treze anos e recebeu o prémio aos catorze, já vem habituando aqueles que a rodeiam a não ficarem surpreendidos quando expõe o seu talento de forma tão brilhante.
Mas este concurso não é uma competição fácil e sabia-se que a exigência para os premiados estava num patamar elevado. Mas como ela diz num conto que é um 'grito' para as complicações da adolescência (ninguém entende os adolescentes!!!!, ou será o contrário?!!!), os desafios estão aí, e este, com trabalho e talento, foi superado de forma brilhante.
Parabéns Daniela


"...Primeiro, como todos sabem, estamos a crescer. E toda a gente repara: “Aii, já estás uma mulherzinha”, “Daqui a pouco começa-te a crescer a barba”, “Já és maior que o teu pai”…Hrrrrr! Que raiva! Reparam tanto no nosso crescimento físico mas…e o psicológico?! Nós começamos a ficar saturados com a forma como nos tratam, continua a ser igual...."

(Daniela Maia) in (Só Quero Uma Explicação)

Só quero uma explicação!



Socoorrrroooo! O que é que vou fazer? Por que é que já não gosto das brincadeiras de antes? Por que é que o meu corpo está a mudar? Por que é que penso de uma maneira diferente? Por que é que estou sempre a lembrar-me do sorriso daquele rapaz? Por que é que me isolo tanto? Por que é que…Porquê?
Tantos porquês. Deve ser assim que estão todos a pensar. Sinceramente, nem eu sei a resposta a todas estas perguntas, são bastante simples e ao mesmo tempo bastante complicadas, principalmente para uma menina como eu. Sou uma rapariga de apenas 13 anos e estou a entrar numa fase um pouco mais…como é que hei-de explicar?! Não sei muito bem. Esta fase pode ser interpretada de muitas maneiras diferentes, mas para mim destaca-se num ponto bastante forte: uma nova forma de encarar o Mundo, diferentes expetativas para lidar com a nossa “nova” vida. Como já devem imaginar, eu estou a falar da famosa e conflituosa ADOLESCÊNCIA. Como hei-de conseguir lidar com todas as mudanças pelas quais estou agora a passar? Só quero uma explicação, uma simples explicação.
Sinceramente, nem sei por onde começar. Sempre que penso na adolescência, a minha cabeça mergulha num lugar inundado de coisas boas e más, principalmente más. Mas mesmo assim, vou tentar explicar, de maneira a que tudo se torne mais fácil para mim e para vocês, a vida e a cabeça de um simples adolescente em fase de crescimento, assim como eu.
Primeiro, como todos sabem, estamos a crescer. E toda a gente repara: “Aii, já estás uma mulherzinha”, “Daqui a pouco começa-te a crescer a barba”, “Já és maior que o teu pai”…Hrrrrr! Que raiva! Reparam tanto no nosso crescimento físico mas…e o psicológico?! Nós começamos a ficar saturados com a forma como nos tratam, continua a ser igual. Para os nossos pais somos sempre os bebezinhos dos papás. CRESCEMOS! E foi das duas formas. Só queremos que todos compreendam isso. E depois começam a queixar-se que respondemos mal e que somos mal educados, e é daí que surgem aqueles discursos intermináveis que temos que mudar de atitudes e bla bla bla… sempre a mesma coisa! Mas de certeza que nunca pensaram que estes nossos comportamentos são derivados dos comportamentos deles. Não gostamos de nos sentir controlados e sufocados. Começamos a pensar na liberdade. Sim, na liberdade. Por isso, só queremos que nos deixem viver na nossa, na paz.
Mas claro, também sei que nós, adolescentes, por vezes não temos os melhores comportamentos e reconheço isso, por mais difícil que seja admiti-lo. Eu tenho noção que não deve ser fácil ser pai. Ter o dever de cuidar de um filho, protegê-lo, amá-lo e defendê-lo sem nunca o poder largar. É um “trabalho” complicado.
Quanto àquela “praga” chamada mudanças de corpo, nem sei o que dizer. Ninguém lida bem com ela, é uma coisa constrangedora, mas temos que aprender a lidar, porque vai permanecer connosco para sempre, se o corpo muda não podemos fazer nada contra isso, apenas aceitar a situação. E ainda sobre isto temos os isolamentos dos adolescentes, porque a maior parte das vezes as suas causas são a falta de autoconfiança e a vergonha do seu próprio corpo. Sei que muitos jovens passam por isso, por serem gordos ou magros, gigantes ou minis, muito ou pouco desenvolvidos, várias razões. Só sei que existe este isolamento e não consigo percebê-lo. Felizmente, não sou uma das tantas e tantos adolescentes que passam por isto, mas gostava de entender o porquê de o fazerem. 
Ah! Mas o ponto mais interessante do tema são as famosas paixões…estamos na idade delas. Agora começamos a falar nos rapazes e nas raparigas, nos sorrisos e nos olhares, nos namoros e nas amizades coloridas, na forma de ser do sexo oposto e como nos tratam…reparamos em tudo, principalmente nós, raparigas. Não há nada que nos escape. Cada pessoa tem sempre aquele sorriso favorito e a voz que nos acalma nos momentos mais difíceis, temos uma pessoa que nos fascina de uma maneira desconcertante. Mas eu acho que isso é bom na nossa idade, visto que são estas relações que nos fazem perceber e passar por coisas da vida chamadas desilusões, partilhas, loucuras, safadezas e, claro, a alegria. 
Não sei se os rapazes são como todas nós. Até gostava de saber se eles também levam os sentimentos tão a sério e se se deixam levar por tudo. As raparigas não esquecem nada, tudo o que marcou fica para sempre. Adoramos uma mensagem de bom dia, um abraço forte, um “vai ficar tudo bem” acompanhado de um simples beijo na testa. São as coisas mais simples que mais nos fascinam. Assim como também gostamos de ter sempre alguém para nos apoiar e para estar ao nosso lado e jamais nos abandonar. Mas com esta idade ainda andamos com os namoros às escondidas e com vergonha do outro. Mas é normal, faz parte. Com o tempo aprendemos a perder a vergonha. Depois existe aquela preocupação de quando se tem o primeiro namorado: o primeiro beijo, o beijo que vai ficar para a história. Apesar de ser uma preocupação, é uma sensação bastante engraçada. 
Além disto tudo, as raparigas têm um vício que muito provavelmente é o mais importante: as amizades. Nesta fase, somos muito ligadas às amiguinhas e aos segredos partilhados com elas. Contamos tudo, e quando digo tudo, é mesmo TUDO. Temos uma certa cumplicidade umas com as outras que nos dá a liberdade e o dever de lhes contar o que se passa connosco. 
No meio das amigas existe aquela que nos acompanhou sempre desde sempre que nos ajuda muito mais, a chamada melhor amiga. Sem querer abusar da vossa paciência, quero explicar-vos este sentimento. Para começar apresento-vos a minha melhor amiga: Kika, estes são os meus lindos leitores, queridos leitores, esta é a Kika. 
A Kika é uma das pessoas mais importantes na minha vida: é ela que está sempre ao meu lado quando mais preciso, é ela que me pergunta o que sinto, o que se passa e o que quero a toda a hora e momento, e se querem saber, não é por ser uma chata (o que não quer dizer que não o seja), mas sim porque se preocupa comigo e só quer que eu esteja bem. Somos como irmãs, e como eu costumo dizer “ só não somos irmãs de sangue, porque não há mãe que nos aguente”, é uma grande verdade e eu sei bem do que falo. A Kika é uma pessoa pela qual sinto muito orgulho e devo-lhe uma parte da minha felicidade, porque ela é a menina dos meus olhos e todos os momentos que passamos juntas são inexplicáveis. Foi com ela que eu vivi momentos especiais, alegrias partilhadas, loucuras inesquecíveis, tristezas superadas e conversas intermináveis. É a minha mais que tudo, a pessoa na qual deposito toda a minha confiança sem nunca temer. Adoro-a! 
Depois de toda esta explicação penso que todos conseguiram perceber muito bem o porquê de nós, raparigas, darmos tanta importância àquela amiga que nunca vamos largar. Ela é um ponto de abrigo que nos acolhe a toda a hora. Necessitamos de alguém assim nas nossas vidas.
Com esta confissão, ficaram a saber melhor o que se passa na cabeça de um adolescente, principalmente na de uma rapariga. É nisto que pensamos e é isto que queremos. Mas, mesmo assim, depois de todo este testamento não sei se consegui responder a todas as perguntas iniciais, sinceramente acho que nem a metade. Andei aqui a enrolar tanto em cada subtema que, só agora, é que descobri que não apaguei nenhuma dúvida que tinha. Mas é normal. Até hoje não sei se houve alguém capaz de esclarecer tudo acerca da adolescência. Continua a ser um poderoso mistério e eu quero a chave para o desvendar. Por isso, volto a dizer: SÓ QUERO UMA EXPLICAÇÃO!
(Daniela Maia)

Margarida Ramos - 2ª classificada no Concurso Literário António Celestino 2015

'Na Pele de Nós Mesmos', foi o título do trabalho apresentado pela Margarida Ramos que lhe valeu uma distinção muito honrosa no exigente Concurso Literário António Celestino 2015 no escalão Terceiro Cíclo. 
Margarida Ramos é uma menina nada e criada bem no coração de Porto d'Ave e, apesar da sua tenra idade, neste trabalho que apresentou revela uma faceta bem adulta pela percepção que tem daquilo que a rodeia e, pela forma como a coloca no papel, não há dúvida que temos escritora.
Parabéns Margarida.  

"...Ainda sou muito jovem mas a cada dia que passa vou colhendo momentos, aventuras, delírios, tontices que guardo com muito carinho no meu baú. Tenho pessoas na minha vida que fazem com que o meu sol brilhe com mais intensidade. Tenham a certeza de que só se vive uma vez."
(Margarida Ramos) in 'na Pele de Nós Mesmos'


Na pele de nós mesmos…

É preciso coragem para enfrentar tudo e todos, temos medos que não nos compreendam por algo que tenhamos feito ou até mesmo por aquilo que somos. Cada um tem a sua história e cada um pensa por si, mas também temos sempre algo que escondemos dos outros ou uma faceta que temos medo de mostrar (até os mais egoístas, racistas e machistas têm um segredo que guardam consigo e que são enterrados com ele nos abraços).
Tudo aquilo que temos de bom gritamos ao mundo para que ele nos possa ouvir e abraçar e tudo aquilo em que acreditamos corremos atrás porque só os mais fracos é que não resistem a pressão de ser livres e de sentir na pele aquilo que gostam. Todos nós temos sonhos por concretizar, mas, por vezes, basta um dia menos bom para deitar o sonho abaixo mas se isso realmente acontecer é porque nunca foi um sonho verdadeiramente nosso, (e só às inseguranças e ao medo é que nós nos temos de agarrar para poder continuar vivendo num sonho que um dia vai ser nosso e que nunca deixou de ser).
A vida não só é feita de sonhos como também é feita de dias maus e de tristezas, por mais que nos custe eles existem e por mais que não queiramos eles chegam sem avisar. Não há solução possível para a tristeza profunda, nem para palavras que nos estragam o dia perfeito, mas há sempre alguém com um sorriso do lado de fora do nosso quarto quando não estamos bem e por mais que não nos resolva o problema tira-nos o sorriso da cara com simples verdades.
Uma das grandes verdades da vida é o amor. O amor pelos nossos pais, pelos nossos amigos e até mesmo por alguém que já nos despertou uma paixoneta. O amor pode ser o maior antídoto à face da terra, só precisamos de saber cuidar dele, porque se ele não for o que procuramos então não vale nada. 
Com os nossos amigos é o mesmo. Durante a vida vamos ganhando amigos e vamos perdendo outros, vamos também descobrindo que uns são nossos amigos para o seu próprio proveito e que, na realidade, nem sequer querem saber de nós. Esta atitude deixa-me profundamente angustiada, pois pensar que pessoas a quem damos tudo, a quem confiamos a própria vida e que vemos como um exemplo a seguir são uma fachada e não passam de uns fingidos. Fazer esta afirmação não é correto, uma vez que eles podem estar sempre a esconder alguma coisa e não serem verdadeiramente assim, nós só temos é que saber viver com isso e mostrar-lhes o que realmente são e dizer-lhes que não preciso pôr uma ‘máscara’ só para se fazerem de fortes porque ninguém é forte ou corajoso o suficiente para fingir durante toda uma vida ser uma pessoa que não é…
Mas no final de contas, o mais doloroso da vida é quando perdemos alguém que nós muito gostamos. Não há muito tempo eu perdi o meu avô, ele era uma pessoa fundamental na minha vida, como todos os avós são. No momento em que eu o perdi, eu senti que a minha vida tinha acabado e que fiquei sem chão para sempre. É normal esse sentimento. Não foi uma parte de mim que morreu, mas foi uma parte de mim que o meu avô levou consigo.
Quando soube que o meu avô tinha partido vivi os minutos mais dolorosos da minha, ainda curta, vida. Nunca me tinha acontecido perder alguém assim tão querido, sinto que desde ai me tenho vindo a perder pelo caminho, apesar de ele ser um bocadinho rigoroso, ele era, acima de tudo, um homem de exemplo, muito amado por todos. E eu perdi-o…
Contudo, apesar de tudo o que eu passei e senti não vejo nenhum motivo para passar o resto da minha vida a chorar ou a recordar uma pessoa que eu nunca mais vou ter de volta, eu sou muito nova ainda, tenho muita coisa para viver. Nunca devemos deixar nada para trás porque um dia podemos ter que vir a remendar uma coisa que já devia ter sido remendada há anos.
Querem saber, apesar de tudo vou continuar a fazer as coisas que me fazem sentir bem a companhia das pessoas que admiro. Daqui a uns anos vamos recordar memórias inesquecíveis. Quero rodear-me apenas de gente boa, gente que me faz bem, gente como eu que, com toda a simplicidade, vive e não sobrevive.
Ainda sou muito jovem mas a cada dia que passa vou colhendo momentos, aventuras, delírios, tontices que guardo com muito carinho no meu baú. Tenho pessoas na minha vida que fazem com que o meu sol brilhe com mais intensidade. Tenham a certeza de que só se vive uma vez.

FIM

(Margarida Ramos)