quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Adeus Madiba


Nelson Mandela - Um Homem que brilhou mais que as estrelas

   
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Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, ou pela sua origem, ou religião.
Para odiar, as pessoas precisam de aprender
e se elas aprendem a odiar, também podem ser ensinadas a amar,
pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto.
(Nelson Mandela)
                 
Poucos homens fizeram tanto como Nelson Mandela para dignificar a humanidade e tornar o mundo um lugar melhor para se viver. Este Homem sacrificou grande parte da sua vida para conquistar a mudança, não só da mentalidade, mas também da institucionalidade injusta, retrógrada e incompreensível no seu país, e que em algumas partes do planeta ainda vigora, atribuindo mais direitos a uns do que a outros apenas em função de diferenças como o sexo, etnia, religião ou cor da pele.
Nelson Mandela acreditava que a paz e a liberdade eram possíveis, e esteve sempre disposto a pagar qualquer preço para as conquistar para o seu povo e em 1994, nas primeiras eleições livres realizadas na África do Sul, torna-se o primeiro presidente negro daquele país, derrotando o Partido Nacional do seu amigo e adversário Frederik de Klerk, outro Grande Homem que enquanto presidente já tinha eliminado políticas raciais inaceitáveis e libertado Nelson Mandela que tinha sido condenado a prisão perpétua por ter cometido o 'crime' de ser um homem justo e bom, e no dia dessas eleições, vencido e vencedor, que já no ano anterior tinham partilhado o Prémio Nobel da Paz, comemoraram de mão dada a vitória da justiça e da liberdade do seu país.

Depois de ocupar a presidência, Nelson Mandela podia ter exercido justiça ou mesmo vingança, mas tal como Gandhi o inspirou, nunca se notou rancor nas suas palavras quando falava daqueles que fizeram dele um prisioneiro durante quase três décadas, onde foi vítima de tortura e chegou mesmo a ser condenado à morte. Em 1988, ainda em cativeiro, atravessou um período de doença grave e eram-lhe recusados cuidados de saúde por parte do Apartheid, regime hediondo que vigorou durante quase meio século na África do Sul, onde os direitos e liberdades eram atribuídos mais a uns do que a outros apenas em função da cor da pele!

Nelson Mandela conseguiu esconder o ressentimento e teve a capacidade de perdoar como só um Homem de valores tão altos pode ter, e assim, sobre a solidez de alicerces compostos por reconciliação e perdão, reconstruiu uma nação nova, e com o seu exemplo tornou melhor não apenas o seu país como o mundo inteiro que ele abraçava com a ternura e a profundidade do seu olhar, e que hoje chora a partida deste grande herói da humanidade que tem uma luz que brilha mais que as estrelas, e apesar de todas as amarguras que viveu, contagiava-nos a todos com um sorriso que nunca acabava.

O mundo não foi bom para Nelson Mandela, mas Nelson Mandela foi de uma generosidade infinita para o mundo e deixou-o muito melhor do que o encontrou, e a sua mensagem e o seu exemplo jamais se poderão apagar da memória da humanidade, e tal como Einstein disse um dia sobre Gandhi, também podemos dizer sobre Nelson Mandela:

 " as gerações que estão por vir vão ter dificuldade em acreditar que um homem assim realmente existiu e caminhou sobre a terra”.



Obrigado Nelson Mandela.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Grupo Desportivo Porto d'Ave - 35º aniversário

DEUS quer, o Homem sonha, a Obra nasce

     Aos 27 de Novembro de 1978, o Grupo Desportivo de Porto D’Ave torna-se o mais jovem clube da Associação de Futebol de Braga. Este foi um grande passo na vida da colectividade, mas não foi aqui que tudo começou. O Porto D’Ave nesta altura já era grande. Antes desta data, ninguém da nossa freguesia ficava em casa nos dias de jogo nos torneios que se realizavam em Castelões e Brunhais. Lembro-me de grandes tardes e manhãs de futebol nessa saudosa década de setenta como se fossem ontem. Na abertura dum torneio contra uma “potência” do futebol daquela altura, o Serafão, em que vencemos por 5 a 0. Também num jogo em Castelões contra o Gonça, quando antes do intervalo o resultado já era favorável aos “nossos” por 2 a 0, com ambos os golos apontados por Tuxa (da D. Laura) e de repente um “tornado” protagonizado pelos adeptos de ambas equipas impediu que o jogo chegasse ao fim. (também aqui ninguém nos vencia!!!). Aquela final contra o Travassos, em que vencemos por 2 a 1, sendo este o único golo sofrido em toda a competição. O Guardião quase imbatível desse torneio era o senhor Carlos Rufino, naquela altura “Caló”.
    Sempre que olho para a taça de campeões desse torneio, recordo todas as emoções que sentia. Haviam ainda poucos carros na freguesia, mas para acompanhar o Porto d'Ave as caravanas eram sempre enormes. As camionetas também eram necessárias para levar todos os adeptos e os que iam na carroça eram sempre os mais ruidosos. Haviam duas bandeiras enormes com quadrados pequenos e mal feitos que estavam sempre presentes, e o apoio à equipa era feito a cantar as lindas canções da nossa terra. O Porto D’Ave não era ainda federado, mas já era muito grande, e eu, ainda criança, olhava para os rapazes das outras freguesias cheio de vaidade, pois eu era de Porto D’Ave e eles não. Já se cultivava o orgulho Portodavense.

     Neste tempo, contavam-se histórias do passado que me fascinavam e me fazia compreender que a grandiosidade do Porto d’Ave já vinha de longe. Falavam de jogos em que iam a pé e descalços, e só calçavam as botas, quem as tinha, para jogar. O resultado era sempre o mesmo, os “nossos” ganhavam. Às vezes também perdiam, mas esses episódios contavam-se em dois segundos, as vitórias é que importava recordar repetidamente sem que nada ficasse esquecido.
     Enquanto escrevo estas linhas, recordo imagens de homens que já não estão cá a festejar os golos e as vitórias. Quando a taça era nossa, e era quase sempre, enchia-se de champanhe e todos bebiam por ela. A festa durava até ao dia seguinte. Apesar de se repetirem em cada torneio, aqueles momentos eram únicos. Enquanto a festa durava, estavam esquecidas as amarguras da vida que afectavam grande parte da população, pois eram tempos difíceis.
     Uma das razões que tornavam o Porto D’Ave mais vencedor que os adversários, era o facto de nessa altura já treinar todos dias, pois não havia um final de tarde em que a bola não saltasse no terreiro dos divertimentos até ao anoitecer. Todos estavam convocados, e depois dum dia de trabalho árduo, a ninguém faltava energia para dar o litro atrás da bola.
     E foi graças a todo este entusiasmo que um grupo de homens da nossa terra reuniu para passar à fase seguinte, e assim nasceu o Grupo Desportivo de Porto D’Ave. Presto a minha homenagem e deixo aqui os meus agradecimentos enquanto Portodavense, a estes homens e muitos outros, que sem que o seu nome saísse do anonimato, foram imprescindíveis na criação do nosso clube. Penso que todos estes homens há mais de trinta anos, já sabiam que estavam a criar este grande clube que tanto nos orgulha. Foram ambiciosos na aquisição dos terrenos que com dificuldade lá se foram pagando e que tão importantes foram para que se construíssem aquelas magnificas instalações. Os primeiros anos foram os mais difíceis, mas a união era tal que todas as barreiras foram ultrapassadas.
     Os jogadores do Porto D’Ave passaram a ser os ídolos das crianças da escola. No recreio quando jogávamos à bola, marcávamos golos à Guilherme e à Gito, dávamos cabeçadas à Quim Moreira, fazíamos fintas á Peão, carrinhos à Firo, passes à Santos, caneladas à Araújo, defesas à Chico Fininho, etc.etc..
     Há uma história que se passou na minha sala de aula que demonstra o significado que o Porto D’Ave tinha para as crianças. Um dia a professora D. Graça mandou-nos fazer uma redacção sobre o que tínhamos feito no último Domingo. Cerca de metade da turma escreveu sobre a difícil vitória no complicado campo do Cavêz ,em que houve invasão de campo quando o árbitro validou um golo de Nano, um chapelão ao guardião adversário. O resultado foi 1 a 2 a nosso favor. A professora quando corrigiu os nossos trabalhos, não acreditava que tantos miúdos de nove anos tivessem acompanhado o nosso clube tão longe, e achou que tínhamos copiado o tema. Com os desenhos e os trabalhos manuais passava-se a mesma coisa. Tanto a tinta da china, como em barro, nos têxteis ou em metal, tudo dava para fazer o emblema do Porto D’Ave.



     Nos primeiros anos a equipa de futebol sénior era a única a competir em toda a colectividade, mas com o passar dos anos foram-se reunindo esforços para que fosse possível ter escalões de formação, começando por uma camada de Juniores. Como os resultados eram positivos, outros escalões se foram acrescentando ao ponto a que chegamos há mais de uma dúzia de anos em que nos orgulhamos de ter todos escalões de formação onde também já escrevemos muitas páginas douradas, e mais recentemente o nosso clube torna-se ainda maior e mais bonito com a equipa de futsal feminino.

     Hoje, com quase duas centenas de jogadores de várias idades e ambos os sexos, o nosso clube já não é só de Porto D’Ave, pois são muitos os sócios e adeptos das freguesias vizinhas. Possuímos um dos melhores parques desportivos de todos os clubes do futebol distrital bracarense, pois não houve até hoje uma direcção que não o melhorasse. Fomos brindados recentemente com o tão desejado “tapete verde”, mas sonhamos ainda com um segundo campo e um pavilhão gimnodesportivo para que a desvantagem em relação aos nossos adversários não seja tão acentuada. Sem grandes saltos, o Porto d’Ave nunca parou de crescer, tanto no património como no plano desportivo e assim irá continuar.
     A grandiosidade do Grupo Desportivo de Porto d’Ave é hoje reconhecida por todos, pois temos ombreado com clubes que representam cidades e sedes de concelho. Isto só é possível, porque a nossa camisola tornou-se de tal forma honrada, que muitos jogadores preferem vesti-la abdicando por vezes de avultados salários oferecidos por clubes que outrora tiveram nomes mais sonantes que o nosso. Também a nossa massa associativa tem características ímpares no apoio à equipa, e quando há mobilização para jogos mais importantes, os adeptos do Porto d’Ave tornam-se os melhores do mundo.
     O Porto d’Ave nasceu para ser grande, e já muito foi feito, mas há ainda muito a fazer para se tornar ainda maior, e todos temos o dever de continuar o trabalho iniciado pelos nossos pais e avós, que criaram este clube e o ajudaram a crescer. 
   E a todos estes homens temos que demonstrar gratidão, mas principalmente aqueles de quem o nome não consta em nenhuma acta e muito menos numa lápide. Que todos que fazem parte do nosso emblema e os que a ele se juntarem no futuro, saibam que em cada palmo daquele recinto estão lágrimas e suor de homens, alguns de idade bastante avançada e debilidade física, mas quando do Porto d'Ave se tratava, conseguiam inventar forças para trabalhar com o intuito apenas de ver o nome do clube do seu coração cada vez maior. Sem esses, o Porto d'Ave seria muito mais pobre, e a maior homenagem que lhes podemos fazer, é seguir o seu exemplo, e nunca deixar de os recordar. A eles dedico estas palavras.

(Tó de Porto d'Ave)

"Enquanto os rios corram, os montes façam sombra e no céu haja estrelas, deve durar a memória do bem recebido na mente do homem grato."
(Virgílio)























terça-feira, 22 de outubro de 2013

Carta de um adepto aos Jogadores do Porto d'Ave


Depois de um arranque inicial com dois resultados negativos, a equipa deu uma resposta positiva na 3ª jornada em Celeirós, onde alcançou uma grande vitória que deu alento para sair dos lugares do fundo da tabela onde o nome do Porto d'Ave não deverá constar. Mas nove pontos quando já disputamos quatro partidas no nosso recinto, é uma proeza muito aquém das expectativas que esta equipa criou nos adeptos. Porém, tudo ficará diferente no próximo Sábado, se alcançarmos a vitória em Pevidém, em que ficaríamos com tantos pontos como os possíveis nos jogos realizados em casa.

Reconheço que tenho escassos conhecimentos no que a tácticas e estratégias de futebol diz respeito, mas arrisco a afirmar que na partida contra o Dumiense nem tudo que estava ao nosso alcance foi feito para que o desfecho fosse outro. Não se ganham jogos só com talento, é necessário também uma boa dose de determinação, e nesta partida não entramos em campo equipados com a vontade de vencer que se exigia e perdemos três pontos que eram obrigação nossa de conquistar, e quando assim é, a derrota pesa mais.

Agora podemos lamentar e apontar o dedo aos culpados, que somos todos nós, porque todos podemos e temos que fazer muito mais, ou aproveitar este momento para reflectir e aprender, e mudar o que não está a ser feito da melhor forma para que as vitórias estejam do nosso lado. Acreditamos na competência, na capacidade e na vontade de todos que vestem a camisola do Porto d'Ave, e sabemos que esta equipa pode alcançar resultados positivos porque tem gente capaz para fazer muito mais e melhor. Mas também tenho a certeza que os pontos só serão nossos se essa capacidade for demonstrada dentro das quatro linhas com uma grande entrega em cada momento do jogo.

Esta equipa tem argumentos para lutar pela vitória em qualquer recinto contra qualquer adversário, e certamente que Pevidém está longe de ser um nome que nos impeça de acreditar na conquista dos três pontos. Esta será uma grande oportunidade para iniciar um ciclo de vitórias necessárias para mudar o rosto, não apenas dentro das quatro linhas mas também da nossa bancada. Para isso, além de acreditar no potencial de cada um, esta equipa terá que remar sem parar enquanto a vitória não for uma certeza, e com a mesma atitude que acredito que vai ser demonstrada nesta partida, outras vitórias surgirão contra outros adversários que ainda temos para defrontar, onde há clubes que se folhearem o livros das memórias, poderão até ter nomes outrora mais sonantes e argumentar superioridade e favoritismo, mas meus amigos, nós é que somos o Porto d'Ave.

Há uma caminhada muito grande a percorrer até ao final desta temporada. Temos o 5º lugar da época passada a defender ou mesmo superar, e pode ser esta a equipa que colocará o nome do Porto d'Ave numa final da Taça da Associação de Futebol de Braga, um sonho por realizar em mais de três décadas de história desta instituição. Temos potentes argumentos para acreditar que, se remarmos todos juntos com uma inabalável vontade de chegar a bom porto, ainda vamos a tempo de escrever nesta época uma página memorável na história do Porto d'Ave. Eu acredito.

"Há várias medidas para medir a vontade humana. A mais exacta e a mais segura é a que se exprime por esta questão: de que esforço sois capazes?"

(James William)

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domingo, 18 de agosto de 2013

Noite Branca em Porto d'Ave

Durante o dia, a Praça das Músicas, ladeada de paredes brancas do Santuário de N. S. do Porto d'Ave, vestiu-se ainda mais de branco, e com a chegada da noite vestiu-se de pessoas bonitas vestidas de branco. E assim, a Praça mais bonita de Portugal, ficou ainda mais branca e mais bonita ao receber centenas de pessoas bonitas com a cor branca a predominar na indumentária de cada um.
E a par do branco e do deslumbre de todos que quiseram participar nesta festa, pairava a alegria naquele magnífico recinto, com a animação a tomar conta de todos a partir das 22.00 horas, com a voz e o piano dos gémeos Ricardo Soares e Margarida Soares, dois filhos de Porto d'Ave a abrir a noite com um espectáculo musical digno duma noite como esta,  deixando fascinada uma plateia nunca antes tão branca naquela praça!!!
Depois dum improviso de 'Pacotes' dos 'Reais 90', que sabe como conquistar o público em Porto d'Ave e não precisou de muitos segundos para arrancar um grande aplauso, foi a vez doutro Ricardo, o Ricardo Fernandes, a conduzir a animação até depois da meia noite, intercalando canções com muita interactividade com uma plateia que já trata por tu, e teve mesmo arte e engenho para encher a pista de dança, um espaço na frente do palco que não voltou a ter descanso até ao final da festa. 

E pela madrugada adentro, sempre com a pista em alvoroço onde os mais animados só faziam uma breve pausa para recarregar baterias junto ao bar uma vez de dançavam movidos a caipirinha e cerveja, foi a vez dos DJs Viktor Soul e Drixen tomarem o leme da animação, e já a noite clareava, não do branco da noite branca mas sim por culpa dos primeiros raios de sol, quando as colunas se desligaram para desalento dos mais resistentes que ainda não tinham dado por esgotadas todas as energias nesta festa que queriam que não tivesse fim.
Foi a primeira vez que se realizou uma Noite Branca em Porto d'Ave, e o resultado ultrapassou as expectativas e é certamente uma festa veio para ficar. A Praça das Músicas vem-nos habituando a momentos como este que nos enche de orgulho a todos.
Parabéns o obrigado a todos que tornaram possível e participaram nesta noite memorável, onde  Porto d'Ave se apresentou com todo seu esplendor.