sexta-feira, 29 de abril de 2011

Vamos Apoiar o Porto d'Ave

Seniores
G. D. Porto d'Ave *** G. D. Prado
Domingo, 01 de Maio, pelas 16.00 horas
No nosso Parque de Jogos

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O Dia da Grande Mentira


"...Represento uma política de verdade e de sinceridade, contraposta a uma política de mentira e de segredo. Advoguei sempre que se fizesse a política da verdade, dizendo-se claramente ao povo a situação do País, para o habituar à ideia dos sacri­fícios que haviam um dia de ser feitos, e tanto mais pesados quanto mais tardios.
Advoguei sempre a política do simples bom senso contra a dos gran­diosos planos, tão grandiosos e tão vastos que toda a energia se gastava em admira-los, faltando-nos as forças para a sua execução..."

(António de Oliveira Salazar)

Para alguns foi necessário esperar mais de trinta anos para perceber que o 25 de Abril é uma grande mentira, e que antes dessa data é que nos falavam verdade. Alguns ainda recusam aceitar que os fins dessa revolução eram, como se veio a constatar, unicamente defender os interesses duma pequena percentagem de oportunistas que não olharam a meios para dar azo à sua ganância. Hoje, já são poucos os que tem dúvidas da dimensão desse erro, mas não deixa de ser estranho que se continue a comemorar esta data com discursos aflorados de heroísmo, certamente com uma única finalidade: continuar a esconder a verdade.
Tudo isso será pago, não apenas pelas gerações futuras, mas também as de hoje, e mesmo as de 'ontem'!
E digo isto com muita pena, porque Portugal é o meu país.

domingo, 24 de abril de 2011

Poema da Ressureição

É madrugada
há um silêncio no ar
por um instante, o soluço parou
a tristeza dormiu
e o pranto cessou!

Na barra do novo dia
brilha sorridente o sol da alegria.

O ventre da terra contraiu-se
a natureza gemeu em santo parto
reuniram-se todos os átomos
da força energética da vida...

O Pai é o parteiro presente
anjos e mulheres o auxiliam
os guardas, homens armados
cochilam frágeis e inofensivos.

Poderosos: sacerdotes, Herodes, Pilatos...
Com o remorso do crime no estômago, sofrem pesadelos.

O túmulo rompeu-se e a pedra rolou!

Eis que de pé,
vitorioso renasce Jesus!

Do infinito parto da Natureza e do Céu
ressurge livre, vencedor
o Filho Amado.
Ontem matado e enterrado.

Termina, enfim,
a teimosia cansativa entre o homem
e seu criador
alguns lençóis, placentas inúteis,
restos da morte
que agoniza faixas manchadas do pecado vencido.

Voam pelo ar, no chão em festa, feito jardim
por onde passeia sorridente
o jardineiro imortal.

Tudo é surpresa e espanto
tudo é certeza e encanto.

Os convidados e seguidores cantam alvíssaras
Maria, a mulher símbolo
suspira aliviada e segura
uma lágrima feliz terá corrido rápida
fazendo ponto final, no seu papel genial
por ela somos benditos também, quem não diria Amém?

Enquanto os filhos da morte
envergonhados, insistem em combater
de boca em boca, de casa em casa,
de nação em nação
corre veloz a notícia feliz:
"Jesus ressuscitou!!!"

Quem crê, saia depressa, correndo
atrás de Madalena, de Pedro, de João...

A vitória será sempre da VIDA!
E cada esforço, cada luta,
cada gota de sangue derramado
pela justiça não terá sido em vão...

A última palavra será: RESSURREIÇÃO!

sábado, 23 de abril de 2011

Páscoa em Porto d'Ave

À semelhança de anos anteriores os Escuteiros de Porto d'Ave simbolizaram a Páscoa na Praça da Músicas, e o resultado da imaginação e trabalho foi, sem surpresa, mais uma vez magnífico. Estão de parabéns todos que colaboraram na realização deste "monumento" que se por um lado demonstra o cariz religioso do Agrupamento de Escuteiros e de toda a população, mas importa realçar também a parte criativa, pois trata-se de uma verdadeira Obra de Arte.

sexta-feira, 22 de abril de 2011


«Tu morreste por nós na cruz da afronta
E o sangue derradeiro
Derramaste do alto do mad
eiro,
Jesus, filho de Deus, Deus Verdadeiro
Aos crimes do homem não lançaste a conta
Inocente cordeiro
Quando foste no alto do madeiro
Lavar com sangue o último e
o primeiro»

( Almeida Garret)


domingo, 17 de abril de 2011

Joagada de Râguebi dá vitória ao Celoricense

O Porto d'Ave deslocou-se ao Concelho de Celorico, para defrontar a equipa local, onde foi recebido pela primeira vez num magnífico estádio recentemente inaugurado, com um sintético de nos deixar com água na boca, pecando apenas no tamanho da bancada que me pareceu insuficiente para albergar o elevado número de adeptos de ambas os emblemas.
O nosso adversário que anda longe dos lugares que ambicionava no início da época, queria aproveitar esta oportunidade para subir uns furos na tabela e apagar uma má imagem deixada no jogo da primeira volta no nosso recinto, quando por cinco vezes tiveram que ir buscar a bola ao fundo da baliza.
Por sua vez, os nossos jogadores sabiam que a conquista dos três pontos podia ser uma realidade e foi com esse propósito que entraram para o campo, realizando mais uma grande exibição, mas o placar no final anunciava a vitória do Celoricense por duas bolas a uma penalizando a nossa equipa, que foi claramente superior e não merecia este resultado amargo que não acontecia desde a segunda jornada da segunda volta, quando recebemos o líder Vilaverdense.
A equipa da casa foi a primeira a marcar num golo obtido no seguimento duma falta indiscutível sobre Pesca, em que o árbitro espanta tudo e todos ao deixar seguir o lance que acabava por dar origem ao primeiro da partida. Juntamente aos protestos dos adeptos do Porto d'Ave perante esta infracção em que foi obtido este golo era possível notar a concordância do público afecto à equipa da casa que festejou de forma tímida como se se sentissem envergonhados. O caso não era para menos.
Estavam vinte e cinco minutos decorridos e esta tinha sido a primeira vez que os jogadores do Celoricense tinham ameaçado a baliza de Abreu enquanto no lado oposto o guardião tinha sido chamado a intervir por diversas vezes. O Porto d'Ave estava a realizar uma grande exibição e não baixou os braços perante esta adversidade, e os nossos jogadores continuaram a remar na tentativa de inverter o resultado, conseguindo a igualdade em cima do apito para intervalo através de Zé Beto, que depois de permitir a defesa do guardião da casa aproveita a recarga e faz o empate com o calcanhar. Dois minutos antes o mesmo jogador tinha desperdiçado uma grande oportunidade na cara do guardião que não tinha mão a medir e até aqui tinha ganho o duelo perante a 'fome' de golos que os nossos jogadores demonstravam.
No regresso dos balneários o rumo continuava no mesmo tom com a superioridade do Porto d'Ave a ser evidente, mas mais uma vez contra a corrente do jogo a equipa da casa colocava-se em vantagem, quando estavam decorridos dez minutos deste período. Os nossos jogadores mantiveram a mesma determinação e nunca baixaram os braços na tentativa dum resultado positivo, com o maior sinal de perigo a surgir já nos descontos em que uma bola sai pela linha de cabeceira após jogada confusa na pequena área. Mas o apito final acabava por surgir com o sabor amargo da derrota bastante difícil de digerir, não só pelo sabor a injustiça mas também por ser uma sensação estranha uma vez que para o campeonato não acontecia há mais de dois meses.
Também o trio de arbitragem merece uma nota, infelizmente pela negativa. Foi sem dúvida a pior equipa em campo e ter estado completamente a dormir no lance que originou o primeiro golo acaba por ter consequências no resultado final. Esperemos que se trate apenas dum acto de incompetência e não algo ainda mais vergonhoso.
Com este resultado o Porto d'Ave fica mais longe do pódio da tabela, mas a forma como os nossos jogadores mais uma vez honraram a camisola que vestem permite-nos acreditar num final de época com o nome do Porto d'Ave a ocupar um lugar ainda mais honroso. Para isso também os adeptos tem uma palavra a dizer, e na próxima jornada recebemos o Prado, uma equipa que vem com o objectivo de nos igualar em número de pontos, mas para contrariar isso basta o nosso apoio aliado à mesma determinação a que os nossos jogadores nos tem habituado durante a época. Força Equipa, Força Porto d'Ave.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Vamos Apoiar o Porto d'Ave

Seniores
G. D. Celoricense *** G. D. Porto d'Ave
Domingo, 17 de Abril pelas 16.00 horas
No Estádio Municipal de Celorico de Basto

domingo, 10 de abril de 2011

Jogo sem Golos na tentativa de assalto ao 3º Lugar


O Porto d'Ave recebeu a equipa de Santa Eulália com a possibilidade de terminar a partida num lugar do pódio da tabela, mas o placar anunciava o nulo no apito final e desta forma é o nosso adversário de hoje que continua nessa posição em partilha com o Arões.
Quanto ao desenrolamento da partida, não me ocorre nenhum comentário.....Disponibilizo o espaço para quem o quiser utilizar para deixar alguma reflexão.



quinta-feira, 7 de abril de 2011

Vamos Apoiar o Porto d'Ave


Seniores
G. D. Porto d'Ave *** C.C. D. Santa Eulália
Domingo, 10 de Abril pelas 16.00 horas
No nosso Parque de Jogos

domingo, 3 de abril de 2011

Porto d'Ave Soma Mais Três Pontos Apimentados

O Porto d’Ave deslocou-se ao concelho de Famalicão para defrontar o Louro, uma equipa que tentava fugir aos lugares de despromoção e procurava nesta partida o passaporte para subir alguns furos na tabela classificativa. Por sua vez os nossos jogadores não queriam quebrar a onda de bons resultados que dura desde a deslocação a S. Torcato, e apresentaram-se determinados a somar mais três pontos e aproximarem o nome do Porto d’Ave do pódio da tabela. A estes ingredientes juntava-se ainda um magnifico sintético para que fosse uma partida apetecível de assistir e as bancadas daquele excelente recinto desportivo fizeram-se pequenas para albergar o grande numero de adeptos de ambos emblemas.

Na primeira parte o perigo esteve sempre mais perto da baliza de Abreu que foi sempre resolvido sem que o nosso guardião tivesse que recorrer a grandes intervenções. A resposta do Porto d’Ave também surgia no mesmo tom, e por três vezes neste período assustou a defensiva do Louro , sendo o lance de maior perigo ao minuto trinta e cinco num lance em que Bife fica a pedir penalty após cruzamento de Daniel.

No regresso dos balneários a equipa da casa entrou determinada a abrir o placar e cria perigo no primeiro minuto num lance em que a destreza de Abreu foi determinante ao ganhar um lance dividido já fora da área. A insistência dos avançados do Louro não ficara por aí, mas também a outra baliza foi alvo dum lance com muito perigo ao quinto minuto com o guardião a negar por duas vezes golo, primeiro a Pimenta e na recarga a Bife.

A equipa de Louro retomava a ascendente atacante mas na resposta o Porto d’Ave abria o placar aos doze minutos com o único golo da partida que valeu os três pontos. E mais uma vez a bola foi enviada para o fundo da baliza através de Pimenta, um jogador que tem uma relação muito intima com o 'golo'. E durante os alargados festejos dos nossos jogadores notava-se uma reacção de frustração no rosto dos homens da casa perante este balde de água fria que lhes afastava ainda mais a linha da manutenção.

Os jogadores do Louro não baixaram os braços e tudo fizeram para tentar inverter o resultado, mas Abreu evitava males maiores com destaque para dois livres aos minutos quinze e dezassete. Enquanto isso a resposta do Porto d’Ave era sempre dada com muito perigo, e com meia hora decorrida vimos a barra a negar um golo a Castelar que tenta a sorte através dum livre a mais de quarenta metros da baliza.

Foram inúmeras as oportunidades criadas por ambas as equipas e o jogo justificava mais alterações no placar, e até se pode dizer com justiça que a divisão de pontos espelharia mais o que ambas as equipas fizeram dentro das quatro linhas, mas o factor sorte também faz parte do futebol e hoje sorriu ao Porto d’Ave que soube aproveitar uma das oportunidades criadas e apontou um golo importante a coloca o Porto d’Ave na quarta posição da tabela. Resta-nos desejar ao G. D. Louro que consiga ainda alcançar os seus objectivos, pois trata-se dum clube com todas as condições para militar neste escalão e também quero registar aqui a forma elevada como nos recebeu enquanto adversários.

O próximo desafio é justamente contra o terceiro classificado, o Santa Eulália, e em caso de vitória o nome do Porto d’Ave passará a ocupar um lugar no pódio. Por isso no próximo Domingo vamos marcar presença na bancada do nosso Parque de Jogos e todos juntos venceremos mais este desafio. Força Porto d’Ave.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Homenagem à Mindinha das Escolas

Na noite de um de Abril a Mindinha das Escolas de Porto d'Ave foi alvo duma homenagem com toda a comunidade envolvida numa festa animada que decorreu no Salão da Real Confraria.

Para falar da Mindinha com a justiça que ela merece este blogue não chegava. Naquela escola passaram centenas ou milhares de crianças e professores, e não é possível ouvir outra coisa que não sejam elogios onde se notam já algumas lágrimas fruto da saudade que já se começa a sentir.

Fica aqui um trabalho fotográfico feito pelas actuais professoras da Escola Primária, um dos pontos altos da noite e de seguida uma mensagem enviada pela Professora Antónia Pereira que não pode marcar presença na festa, mas que durante muitos anos partilhou o mesmo espaço com a Mindinha a quem cheia de orgulho chama de 'Colega'. Por fim também uma mensagem enviada para o blogue por Vitor Macedo, que ajuda a traduzir a grandeza humana que a Mindinha sempre distribuiu por todos que a rodeavam.

Momento em que a Alcina leu a Mensagem enviada pela Professora Antónia Pereira:

"Na impossibilidade de estar presente, solicito à organização deste encontro que transmita a seguinte mensagem:

Em plena actuação do Rancho Folclórico da nossa terra, apresentei numa festa a Minda como: “minha colega”. Reparei, porém, alguma perplexidade no rosto das pessoas que estavam à nossa volta. Expliquei, então, que trabalhávamos no mesmo edifício, com os mesmos alunos e professores. Éramos, portanto, companheiras do dia-a-dia, colegas de trabalho.
Quero, hoje, aqui testemunhar que conheço a Minda há mais de trinta anos e com ela convivi diariamente durante dezanove, tantos quantos os que trabalhei na Telescola de Porto d’ Ave.
Conheço-a muito bem. Posso afirmar que a Minda nunca foi “empregada das escolas” ou “funcionária” como, à época, se chamava à sua profissão.
A Minda foi, sempre, uma Grande Auxiliar Educativa e escrevo-o com letra maiúscula. Ela foi sempre o braço direito (e se calhar o esquerdo também), das professoras da Telescola em todas as iniciativas. Naquele tempo, não se valorizava o currículo, a avaliação, a nota…
A Minda trabalhava, incansavelmente, com entusiasmo, dedicação e sem quaisquer objectivos pessoais.
Quantas vezes, em situação de conflito, ela defendeu os alunos mais difíceis?! Quantas vezes executou tarefas que estão muito para além da sua profissão?! Ela era, e é, “pau para toda a colher”. Não contabilizava o tempo que dedicava à escola.
Contei sempre com ela para as festas que organizei na Telescola e até, mais tarde, nas actividades que implementei já na Escola EB 2 e 3 de Taíde.
É uma amiga que em tudo ajudava, para tudo estava sempre disponível, fosse dia ou noite, sábado ou domingo.
Marcou gerações, cujo exemplo está no carinho e admiração que os nossos filhos nutrem pela “Mindinha”.
É polivalente, criativa e lutadora.
Deu-se a todos, sem olhar a quem, quando e porquê. Faz da sua vida uma dádiva permanente. E fá-lo por atitude intrínseca à sua personalidade. Não é só uma questão de Fé.
Quero expressar, perante todos, a felicidade que sinto por ter trabalhado com um ser humano de tão elevada qualidade. E a si, Minda, quero declarar-lhe, mais uma vez, que a admiração e amizade que tenho por si, não cabem nas palavras que possa aqui utilizar. Exprime-se na força do sentido abraço que aqui lhe deixo.
Felicito a organização por esta homenagem que é inteiramente merecida.
E lembre-se, Minda, a amizade não tem direito a aposentação!"

Antónia Pereira

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Comentário enviado por Vitor Macedo:

Quando o nosso trabalho tem como principal objectivo a EDUCAÇÃO, tem como lema da produtividade AJUDAR A CRESCER, tem como lucro BOM RESULTADO ESCOLAR – SOCIAL – HUMANO, exige-se aos seus trabalhadores entrega total, exige alma nobre, exige sabedoria humana, exige humildade, exige AMOR, …

Perante estas exigências nem todos conseguem aguentar tal trabalho, que aos olhos de muitos parece fácil. Só alguém que é tão ESPECIAL é que aguenta durante tantos anos tantas e especiais exigências…

É esta a especialidade da nossa Minda, fazer de todos nós a sua vida, e nós dela fazemos parte da nossa vida.

A nossa AMIGA abraçou as exigências do seu trabalho com pureza e naturalidade, fez da escola a eterna escola de gerações.

Para a Mindinha foi mais um virar de página da sua vida onde muitas e boas recordações permanecerão no seu valioso livro da vida, agora já escreve mais linhas na nova pagina onde todos nós continuarão como personagens do seu coração GRANDE.

É assim a vida na nossa Terra…
somos apenas pessoas que gostamos de ser pessoas…
junto de GRANDES PESSOAS.

ass. Vitor Macedo

E agora apresento algumas fotos que não precisam de legendas para descrever em parte a linda e justa homenagem sempre num ambiente de alegria, à imagem que a Mindinha sempre nos transmitiu:



Nota: A Administração do Blogue agradece qualquer colaboração no sentido de aproximar este post da verdadeira grandeza humana da Mindinha.

Porto d'Ave Acorda Vestido de Branco

Na manhã de hoje Porto d'Ave acordou perante um enorme nevão e ninguém ficou indiferente a este fenómeno climatérico que deixou a nossa aldeia ainda com mais encanto. Apesar de o avistarmos a neve com regularidade em zonas muito próximas tantas vezes repetimos Invernos sem que os nossos Terreiros sejam palco de tão magnífico espectáculo, e desta vez a surpresa foi ainda maior por este episódio ter decorrido já depois da Primavera ter chegado.

É ainda bem cedo e já todos foram contagiados por uma grande alegria e as brincadeiras não escolhem idades. A zona envolvente do nosso Santuário já está invadida por uma tribo de bonecos de neve feitos por crianças e adultos, todos maravilhados com este manto branco com que a mãe natureza nos presenteou.E é num dia assim que nos recordamos dum lindo Poema de Augusto Gil, ele que viveu na encosta da Serra da Estrela e tantas vezes acordou perante a magia deste cenário maravilhoso.

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?

Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!

E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,

primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!

Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação

entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.

Augusto Gil