
António Moura Vieira, ou ‘Toninho’, como era tratado pelos amigos de sempre, era um Homem duma simplicidade pouco vulgar, quando falamos de alguém para quem o planeta era uma aldeia, com registos do seu empreendedorismo notados em vários continentes. Uma viagem à China ou aos Estados Unidos era abordada por ele, como ir a Coimbra ou Lisboa. No entanto, ir escolher o peixe para o almoço, como o acompanhei algumas vezes no mercado de Caminha, ou juntar a família e alguns amigos para engarrafar o vinho da sua quinta, eram tarefas, entre outras, das quais não abdicava. Gostava de ter a família e os amigos junto de si nas mais pequenas coisas (para ele eram grandes) e recebê-los na sua ‘mesa grande’, onde o presunto e o queijo tinham lugar cativo. As cadeiras eram preenchidas por ordem de chegada; junto a si, tanto ficava o trabalhador que tinha acabado de fazer a poda na vinha, como aquele que ocupava o mais alto lugar na sociedade. Nem se agigantava perante uns, nem se encolhia perante outros. Media as pessoas pela essência e sabia com exactidão o significado da palavra “Amigo”, que cultivava como ninguém. Tinha um sentido de humor muito próprio e gostava de pregar algumas partidas, deixando-nos embaraçados durante alguns segundos. Era uma pessoa alegre e bonita. Adorava crianças, tinha mãos e braços enormes para dar e para abraçar. Tinha cabelo da cor de prata, mas o coração era d’ouro. Teimava em não ser notado, mas brilhava... como brilhava!!! Este Homem, era o meu Padrinho.
Um Grande Homem
"Quem faz jus ao título de "grande homem"?
Não sei...
O homem inteligente?
Não basta ter inteligência para ser grande...
O homem poderoso?
Há poderosos mesquinhos...
O homem religioso?
Não basta qualquer forma de religião...Podem todos esses homens possuir muita inteligência, muito poder, e muita religiosidade - e nem por isso são grandes homens.
Pode ser que lhes falte certo vigor e largueza, certa profundidade e plenitude, indispensáveis à verdadeira grandeza.
Podem os inteligentes, os poderosos, os virtuosos não ter a verdadeira liberdade de espírito...
Pode ser que as suas boas qualidades não tenham essa vasta e leve espontaneidade que caracteriza todas as coisas grandes.
Pode ser que a sua perfeição venha mesclada de um quê de acanhado e tímido, com algo de teatral e violento.
O grande homem é silenciosamente bom...
É genial - mas não exibe génio...
É poderoso - mas não ostenta poder...
Socorre a todos - sem precipitação...
É puro - mas não vocifera contra os impuros...
Adora o que é sagrado - mas sem fanatismo...
Carrega fardos pesados - com leveza e sem gemido...
Domina - mas sem insolência...
É humilde - mas sem servilismo...
Fala a grandes distâncias - sem gritar...
Ama - sem se oferecer...
Faz bem a todos - antes que se perceba...
"Não quebra a cana fendida, nem apaga a mecha fumegante
- nem se ouve o seu clamor nas ruas..."
Rasga caminhos novos - sem esmagar ninguém...
Abre largos espaços - sem arrombar portas...
Entra no coração humano - sem saber como...
Tudo isso faz o grande homem, porque é como o Sol - esse astro assaz poderoso para sustentar um sistema planetário, e assaz delicado para beijar uma pétala de flor.."
(Huberto Rohden)
"Quem faz jus ao título de "grande homem"?
Não sei...
O homem inteligente?
Não basta ter inteligência para ser grande...
O homem poderoso?
Há poderosos mesquinhos...
O homem religioso?
Não basta qualquer forma de religião...Podem todos esses homens possuir muita inteligência, muito poder, e muita religiosidade - e nem por isso são grandes homens.
Pode ser que lhes falte certo vigor e largueza, certa profundidade e plenitude, indispensáveis à verdadeira grandeza.
Podem os inteligentes, os poderosos, os virtuosos não ter a verdadeira liberdade de espírito...
Pode ser que as suas boas qualidades não tenham essa vasta e leve espontaneidade que caracteriza todas as coisas grandes.
Pode ser que a sua perfeição venha mesclada de um quê de acanhado e tímido, com algo de teatral e violento.
O grande homem é silenciosamente bom...
É genial - mas não exibe génio...
É poderoso - mas não ostenta poder...
Socorre a todos - sem precipitação...
É puro - mas não vocifera contra os impuros...
Adora o que é sagrado - mas sem fanatismo...
Carrega fardos pesados - com leveza e sem gemido...
Domina - mas sem insolência...
É humilde - mas sem servilismo...
Fala a grandes distâncias - sem gritar...
Ama - sem se oferecer...
Faz bem a todos - antes que se perceba...
"Não quebra a cana fendida, nem apaga a mecha fumegante
- nem se ouve o seu clamor nas ruas..."
Rasga caminhos novos - sem esmagar ninguém...
Abre largos espaços - sem arrombar portas...
Entra no coração humano - sem saber como...
Tudo isso faz o grande homem, porque é como o Sol - esse astro assaz poderoso para sustentar um sistema planetário, e assaz delicado para beijar uma pétala de flor.."
(Huberto Rohden)