quarta-feira, 9 de abril de 2014

Participação de Mariana Vale no Concurso Literário António Celestino




'A Cartola das Mil maravilhas” é o título do trabalho realizado por Mariana Vale, uma menina de 11 anos que começa a não ser surpresa quando o seu nome brilha, e até já foi distinguida a nível nacional deixando-nos a todos cheios de orgulho, sobretudo aos seus pais 'babados', e mais uma vez aparece em grande com uma excelente participação no Concurso Literário 'António Celestino' 2014.


A cartola das mil maravilhas

      O meu avô António tinha uma antiga loja de magia na baixa da cidade. Era muito velha e poeirenta e ele era o único que lá trabalhava. Faleceu recentemente, há aproximadamente três anos. Foi completamente devastador!
Antes de falecer, andava à procura de outro gerente. Fez entrevistas a várias pessoas, mas só uma tinha as capacidades e qualidades necessárias para aquele trabalho. Ninguém o conhecia muito bem, de onde vinha ou a sua história de vida. Contudo andei a investigar. Numa noite de lua cheia, segui-o até a um beco escuro, e descobri que ele não era uma pessoa vulgar, era especial. Saltou para dentro da sua velha cartola e foi como o jogo do cuco: ora cá estava, ora já cá não estava! Fiquei boquiaberta! Como é que tal coisa era possível?! Mas continuei a segui-lo.
      Uau! Foi a única palavra que eu arranjei para descrever aquele mundo lindo, maravilhoso! Se o meu queixo não estivesse preso, já tinha caído ao chão! Ai! Era tão perfumado e mágico… havia muitas estrelas, muitos animais... Era o mundo perfeito! Cheio de baloiços, de diversão e de outras crianças com quem eu podia brincar. Mas como é que tudo aquilo cabia dentro de uma cartola velha e rasgada? Foi então que vi um castelo gigantesco! Parecia de princesas! Até havia um dragão que cuspia fogo! Ao explorar aquela terra mágica, encontrei um outro mágico. Ele era muito diferente do novo gerente. Este mágico era divertido e engraçado como um palhaço, enquanto o outro era muito contido e reservado. Avisou-me para ter cuidado pois aquele mundo tinha muitas artimanhas preparadas. Eu tive sempre muito cuidado, mas como diz o ditado: todo o cuidado é pouco!
      De repente, apareceu-me um passarinho que parecia muito normal até começar a falar como um ser humano! Que mundo misterioso! Ele chamou os seus companheiros e quando dei por mim, estava a voar…a voar muito alto, a uma altitude de mil maravilhas! O que estou eu a dizer?! A uma altitude de mil metros. Sentia-me a “Alice no país das maravilhas”, mas em vez de perseguir um coelho, era um bando de pássaros que me perseguia a mim!
      De repente o chão começou a tremer, e num ápice… puff! Já estava fora da cartola. Fui imediatamente para casa contar aos meus pais e à minha irmã, que estavam raladíssimos comigo, o que se tinha passado. Mas eles não acreditaram.
      A notícia espalhou-se, e foi passando de boca em boca. As vizinhas beatas, todas a cochichar, comentavam o quão maluca eu era. Que descaramento! Só sabiam meter o nariz onde não eram chamadas!
      Ninguém acreditava em mim e toda agente me olhava de canto. Sentia-me frustrada, pois sabia que tinha razão!
      Só depois me apercebi que um mundo perfeito só existe nos sonhos ou nas histórias que os adultos contam às crianças… tudo o que eu vivera tinha sido uma mera ilusão, mas ainda hoje acredito que há uma cartola das mil maravilhas.


(Mariana Vale)

Carolina Vale distinguida no Concurso Literário António Celestino

 'É Tudo Uma Questão de Fé” é o título do trabalho realizado por Carolina Vale, que alcançou o 2º lugar na categoria 'secundário', no Concurso Literário 'António Celestino' 2014.


É tudo uma questão de fé


            “A minha fé, nas densas trevas, resplandece mais viva.”, já dizia Mahatma Gandhi. Sempre me lembro de ouvir a minha mãe citar essa frase, e desde cedo percebi o sentido que tem na nossa vida. Por vezes, somos movidos pela fé, parece que as coisas só acontecem se acreditarmos nelas, e eu sou uma prova disso.
            O meu nome é Inês e vou contar-vos a minha história de vida. Nasci na primavera de mil novecentos e oitenta e sete, tenho agora vinte e sete anos, vivo em Coimbra, sou morena, meço cerca de um metro e sessenta centímetros, sou magrinha, e sou uma pessoa muito extrovertida. Tenho dois irmãos, a Joana e o Martim, que são gémeos e têm vinte e quatro anos. São morenos também, mas mais altos do que eu.
            É mesmo muito bom ter irmãos, pois são pessoas com quem podemos contar sempre e que acabam por ser pedaços de nós mesmos. Na adolescência era complicado darmo-nos tão bem como hoje, todos queríamos as mesmas coisas e chateávamo-nos por tudo e por nada, mas hoje, não vivemos uns sem os outros.
            Quando os meus pais me disseram que ia ter duas pessoas com quem brincar em casa, fiquei radiante! Na altura não tínhamos tantos brinquedos como as crianças de hoje têm, mas tínhamo-nos uns aos outros, e aos nossos vizinhos, que brincavam sempre connosco, pois tínhamos mais ou menos a mesma idade.
            Andei na escola primária e no ciclo ou ensino básico, como lhe chamam agora. No secundário estudei Ciências e Tecnologias, que sempre foi uma área que me despertou muito interesse. Entrei então para o curso de Farmácia Biomédica, na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. Tirei a licenciatura e o mestrado e comecei logo a trabalhar numa farmácia perto de casa.
            Conheci o Rodrigo, o meu namorado, no primeiro ano da universidade. Reparei nele logo na primeira semana, era impossível não reparar. O Rodrigo é alto, moreno, magro e tem olhos castanhos esverdeados. A meio do primeiro semestre tivemos de fazer trabalhos de grupo e, para sorte minha, ele ficou no meu grupo. Foi aí que tive a oportunidade de o conhecer melhor, e passamos a andar mais vezes juntos. Almoçávamos juntos na cantina e juntávamo-nos às vezes ao fim da tarde na pastelaria “Dona Margarida”, perto da universidade, para conversar.
            No último ano do curso o Rodrigo disse-me que quando terminasse o curso ia para Espanha, para perto da família. Fiquei completamente em choque… tinha-me aproximado tanto dele, e ele ia embora… Foi aí que percebi que gostava mesmo dele. Implorei-lhe que não fosse, disse-lhe que precisava dele cá, ao meu lado, e desatei a chorar. Ele ficou completamente perdido quando me viu tão desesperada, abraçou-me e vendo o estado em que eu estava, prometeu-me que não ia.
            Passado um ou dois meses, numa saída de amigos, ele levou-me a casa, e beijou-me. Aí percebi o porquê de ele ter ficado em Portugal. Começamos então a namorar e agora vivemos juntos.
            No verão de dois mil e sete, quando fui de férias com ele, com a minha irmã e com o namorado dela, o Filipe, reparei que tinha um seio bastante inchado e os meus mamilos estavam um pouco diferentes. Andava também com algumas dores nas costas,
e fui pesquisar sobre isso na internet. O que encontrei deixou-me muito assustada, pois pelos sintomas, podia ser cancro da mama, e fui imediatamente ao hospital com o Rodrigo.
            Falei desses sintomas ao doutor Vicente, que é oncologista, e ele fez-me uma mamografia. Quando me disse que tinha cancro da mama num estado já bastante avançado, o meu coração parou. O Rodrigo olhou para mim, completamente perdido, sem reação. Desatamos a chorar. Todos os momentos mais felizes da minha vida me passaram pela cabeça naquele momento, e só pensava que ia morrer e que não podia concretizar os meus sonhos.
            Comecei então a quimioterapia. O cabelo começou a cair, estava sempre com náuseas e ganhei anemia. Sentia-me muito fraca, e cheguei mesmo a pedir para morrer, para tudo acabar ali. Mas porquê, se ainda tinha hipótese de viver? Porque é que quereria morrer se ainda não tinha concretizado os meus sonhos? Porquê ir embora se isso magoaria as pessoas que gostam realmente de mim?
            Todos os dias os meus pais, os meus irmãos, o meu namorado e a Rita, a minha melhor amiga, me iam ver. Levavam-me flores, fotografias e outros mimos. Davam-me força para acreditar que tudo ia ficar bem, e foi a isso que me prendi durante todo aquele tempo.
            Comecei a melhorar, o cabelo voltou a nascer, as náuseas desapareceram e os glóbulos vermelhos voltaram ao número normal. Fui para casa e a minha mãe ficava lá comigo quando o Rodrigo ia trabalhar.
            Continuei a ir às consultas do doutor Vicente, e já passaram sete anos desde que me foi diagnosticado o cancro. Os meses que passei em tratamento foram os mais difíceis da minha vida, e se não tivesse tido tanto apoio, já tinha desistido.
            Tenho agora um filho, o André, com um aninho, e posso dizer que venci o cancro. Foi a melhor notícia que recebi desde que me foi diagnosticada esta doença, que afeta cerca de onze mulheres por dia, em que apenas sete sobrevivem. Sinto-me afortunada por ser uma delas, e considero-me uma verdadeira lutadora, uma vencedora. A cura desta doença não está na quimioterapia ou na radioterapia, está em nós, na nossa fé, na nossa força e no apoio que as pessoas mais próximas de nós nos dão.
            Em todas as situações da vida, é tudo uma questão de fé.

 


(Carolina Vale)

terça-feira, 1 de abril de 2014

Tina Turner em Porto d'Ave


Uma Lenda do Rock na Romaria de Porto d'Ave 2014


No início não passava de um ideia louca e não eram raras as vozes que diziam ser impossível, mas o sonho foi tomando conta dos mais insistentes, mantendo-se no maior segredo, e agora já pode ser tornado público porque é mesmo uma certeza que nos enche de alegria e orgulho a todos: No palco da Romaria de Porto d'Ave 2014 vai estar uma lenda da música chamada Tina Turner.

Tina Turner vive na Suiça há quinze anos, onde tem na sua mansão três funcionários portugueses, sendo a cozinheira e o motorista, um casal de Porto d'Ave, o senhor Mário Rodrigues e a dona Carmo Silva, pais do nosso amigo Jaime Rodrigues que vai dar o nó precisamente no fim de semana da Romaria, casamento  esse, onde na lista de convidados constam os nome de Tina Turner e do seu marido Erwin Bach, e após tantas descrições do Santuário e da Romaria de N. S. do Porto d'Ave que a diva escutava pela voz destes nossos conterrâneos, acabou por ceder às insistências, e aproveitou a ocasião para vir com as “suas pernas” e ver com os seus próprios olhos o que tanto falavam os seus colaboradores por quem tem enorme respeito e amizade.

Esta Diva, que esteve no auge nos anos 80 e 90, viveu uma adolescência difícil e teve que cantar em boates e cabarés de categoria duvidosa para sobreviver, mas o seu talento e a sua energia transformaram-na numa lenda da música com perto de 200 milhões de discos vendidos em todo mundo. Actualmente conta 74 anos de idade, mas mantém a mesma energia, as mesmas pernas e o mesmo timbre de voz inconfundível que conhecemos nas últimas décadas do sec. XX. 

Segundo a própria, recorda com saudade o concerto que deu em Alvalade há mais de vinte anos, considerando-o como um dos momentos mais gratificantes da sua carreira, e também este sentimento terá contribuído para a decisão de aceder positivamente ao convite para vir novamente a Portugal, desta vez a Porto d'Ave!!! E nós cá estaremos para a aplaudir. Bem vinda a Porto d'Ave.




sábado, 29 de março de 2014

Harmos Classical em Porto d'Ave

O Santuário de N. S. do Porto d'Ave, vestiu-se de público para assistir a um concerto musical, onde um quarteto oriundo da Holanda, nos maravilhou a todos com sons que pareciam sair do impossível, arrancados de três violinos e um violoncelo, e que além da magnificência destes jovens talentosos, contavam ainda com uma acústica que só o nosso Santuário pode oferecer.

Jos Jonker, Daniel Frankenberg, Bas Bartels e Veerle Schutjens, estudantes do Conservatorium van Amsterdam, uma escola de arte de renome mundial, foram os grandes responsáveis por uma noite memorável para todos que marcaram presença neste espectáculo, onde também estes jovens se mostravam maravilhados com cada palmo do Santuário de N. S. do Porto d'Ave, proporcionando-se desta forma uma simbiose perfeita entre várias artes.









segunda-feira, 24 de março de 2014

Concerto Musical em Porto d'Ave

Harmos’14 Classical 

Sexta-feira, 28 de Março pelas 21.30 horas 

No santuário de N. S. do Porto d'Ave,


Dois Violinos, uma Viola e um Violoncelo, tocados pelos músicos Jos Jonker, Daniel Frankenberg, Bas Bartels e Veerle Schutjens, um quarteto formado no "Conservatorium van Amsterdam", uma das mais conceituadas escolas superiores de artes do mundo, vão-nos presentear com um concerto musical num espaço que oferece uma acústica única para um evento como este, e que pela arquitectura e beleza deste monumento religioso construído na primeira metade do sec. XVIII, será certamente um magnífico espectáculo dentro doutro não menos magnífico espectáculo proporcionado por toda a envolvência com que o Santuário de Nossa Senhora do Porto d'Ave nos maravilha. 
(Entrada gratuita.)  





sábado, 25 de janeiro de 2014

In Memoriam senhor João Monteiro

João Pereira Monteiro
03 - 11 - 1928 
25 - 01 - 2014

Porto d'Ave fica mais pobre.
João Pereira Monteiro (Tareja), apesar de não ter sido dirigente do G. D. Porto d'Ave, o seu nome ficará para sempre ligado à sua fundação. Nunca soube recusar a sua colaboração em todas as iniciativas e mais tarde fez parte do 'Grupo de Amigos' que ofereceram longas horas de trabalho árduo na construção de grande parte dos degraus da bancada do campo de futebol, e a memória destes homens e do seu exemplo nunca se poderá apagar na história da nossa terra.
Era um grande Portodavense, um homem bom, sempre sorridente, muito simples e humilde.
Que Deus lhe dê tudo que semeou.

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”
(Antoine de Saint-Exupéry)


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Adeus Madiba


Nelson Mandela - Um Homem que brilhou mais que as estrelas

   
----

Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, ou pela sua origem, ou religião.
Para odiar, as pessoas precisam de aprender
e se elas aprendem a odiar, também podem ser ensinadas a amar,
pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto.
(Nelson Mandela)
                 
Poucos homens fizeram tanto como Nelson Mandela para dignificar a humanidade e tornar o mundo um lugar melhor para se viver. Este Homem sacrificou grande parte da sua vida para conquistar a mudança, não só da mentalidade, mas também da institucionalidade injusta, retrógrada e incompreensível no seu país, e que em algumas partes do planeta ainda vigora, atribuindo mais direitos a uns do que a outros apenas em função de diferenças como o sexo, etnia, religião ou cor da pele.
Nelson Mandela acreditava que a paz e a liberdade eram possíveis, e esteve sempre disposto a pagar qualquer preço para as conquistar para o seu povo e em 1994, nas primeiras eleições livres realizadas na África do Sul, torna-se o primeiro presidente negro daquele país, derrotando o Partido Nacional do seu amigo e adversário Frederik de Klerk, outro Grande Homem que enquanto presidente já tinha eliminado políticas raciais inaceitáveis e libertado Nelson Mandela que tinha sido condenado a prisão perpétua por ter cometido o 'crime' de ser um homem justo e bom, e no dia dessas eleições, vencido e vencedor, que já no ano anterior tinham partilhado o Prémio Nobel da Paz, comemoraram de mão dada a vitória da justiça e da liberdade do seu país.

Depois de ocupar a presidência, Nelson Mandela podia ter exercido justiça ou mesmo vingança, mas tal como Gandhi o inspirou, nunca se notou rancor nas suas palavras quando falava daqueles que fizeram dele um prisioneiro durante quase três décadas, onde foi vítima de tortura e chegou mesmo a ser condenado à morte. Em 1988, ainda em cativeiro, atravessou um período de doença grave e eram-lhe recusados cuidados de saúde por parte do Apartheid, regime hediondo que vigorou durante quase meio século na África do Sul, onde os direitos e liberdades eram atribuídos mais a uns do que a outros apenas em função da cor da pele!

Nelson Mandela conseguiu esconder o ressentimento e teve a capacidade de perdoar como só um Homem de valores tão altos pode ter, e assim, sobre a solidez de alicerces compostos por reconciliação e perdão, reconstruiu uma nação nova, e com o seu exemplo tornou melhor não apenas o seu país como o mundo inteiro que ele abraçava com a ternura e a profundidade do seu olhar, e que hoje chora a partida deste grande herói da humanidade que tem uma luz que brilha mais que as estrelas, e apesar de todas as amarguras que viveu, contagiava-nos a todos com um sorriso que nunca acabava.

O mundo não foi bom para Nelson Mandela, mas Nelson Mandela foi de uma generosidade infinita para o mundo e deixou-o muito melhor do que o encontrou, e a sua mensagem e o seu exemplo jamais se poderão apagar da memória da humanidade, e tal como Einstein disse um dia sobre Gandhi, também podemos dizer sobre Nelson Mandela:

 " as gerações que estão por vir vão ter dificuldade em acreditar que um homem assim realmente existiu e caminhou sobre a terra”.



Obrigado Nelson Mandela.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Grupo Desportivo Porto d'Ave - 35º aniversário

DEUS quer, o Homem sonha, a Obra nasce

     Aos 27 de Novembro de 1978, o Grupo Desportivo de Porto D’Ave torna-se o mais jovem clube da Associação de Futebol de Braga. Este foi um grande passo na vida da colectividade, mas não foi aqui que tudo começou. O Porto D’Ave nesta altura já era grande. Antes desta data, ninguém da nossa freguesia ficava em casa nos dias de jogo nos torneios que se realizavam em Castelões e Brunhais. Lembro-me de grandes tardes e manhãs de futebol nessa saudosa década de setenta como se fossem ontem. Na abertura dum torneio contra uma “potência” do futebol daquela altura, o Serafão, em que vencemos por 5 a 0. Também num jogo em Castelões contra o Gonça, quando antes do intervalo o resultado já era favorável aos “nossos” por 2 a 0, com ambos os golos apontados por Tuxa (da D. Laura) e de repente um “tornado” protagonizado pelos adeptos de ambas equipas impediu que o jogo chegasse ao fim. (também aqui ninguém nos vencia!!!). Aquela final contra o Travassos, em que vencemos por 2 a 1, sendo este o único golo sofrido em toda a competição. O Guardião quase imbatível desse torneio era o senhor Carlos Rufino, naquela altura “Caló”.
    Sempre que olho para a taça de campeões desse torneio, recordo todas as emoções que sentia. Haviam ainda poucos carros na freguesia, mas para acompanhar o Porto d'Ave as caravanas eram sempre enormes. As camionetas também eram necessárias para levar todos os adeptos e os que iam na carroça eram sempre os mais ruidosos. Haviam duas bandeiras enormes com quadrados pequenos e mal feitos que estavam sempre presentes, e o apoio à equipa era feito a cantar as lindas canções da nossa terra. O Porto D’Ave não era ainda federado, mas já era muito grande, e eu, ainda criança, olhava para os rapazes das outras freguesias cheio de vaidade, pois eu era de Porto D’Ave e eles não. Já se cultivava o orgulho Portodavense.

     Neste tempo, contavam-se histórias do passado que me fascinavam e me fazia compreender que a grandiosidade do Porto d’Ave já vinha de longe. Falavam de jogos em que iam a pé e descalços, e só calçavam as botas, quem as tinha, para jogar. O resultado era sempre o mesmo, os “nossos” ganhavam. Às vezes também perdiam, mas esses episódios contavam-se em dois segundos, as vitórias é que importava recordar repetidamente sem que nada ficasse esquecido.
     Enquanto escrevo estas linhas, recordo imagens de homens que já não estão cá a festejar os golos e as vitórias. Quando a taça era nossa, e era quase sempre, enchia-se de champanhe e todos bebiam por ela. A festa durava até ao dia seguinte. Apesar de se repetirem em cada torneio, aqueles momentos eram únicos. Enquanto a festa durava, estavam esquecidas as amarguras da vida que afectavam grande parte da população, pois eram tempos difíceis.
     Uma das razões que tornavam o Porto D’Ave mais vencedor que os adversários, era o facto de nessa altura já treinar todos dias, pois não havia um final de tarde em que a bola não saltasse no terreiro dos divertimentos até ao anoitecer. Todos estavam convocados, e depois dum dia de trabalho árduo, a ninguém faltava energia para dar o litro atrás da bola.
     E foi graças a todo este entusiasmo que um grupo de homens da nossa terra reuniu para passar à fase seguinte, e assim nasceu o Grupo Desportivo de Porto D’Ave. Presto a minha homenagem e deixo aqui os meus agradecimentos enquanto Portodavense, a estes homens e muitos outros, que sem que o seu nome saísse do anonimato, foram imprescindíveis na criação do nosso clube. Penso que todos estes homens há mais de trinta anos, já sabiam que estavam a criar este grande clube que tanto nos orgulha. Foram ambiciosos na aquisição dos terrenos que com dificuldade lá se foram pagando e que tão importantes foram para que se construíssem aquelas magnificas instalações. Os primeiros anos foram os mais difíceis, mas a união era tal que todas as barreiras foram ultrapassadas.
     Os jogadores do Porto D’Ave passaram a ser os ídolos das crianças da escola. No recreio quando jogávamos à bola, marcávamos golos à Guilherme e à Gito, dávamos cabeçadas à Quim Moreira, fazíamos fintas á Peão, carrinhos à Firo, passes à Santos, caneladas à Araújo, defesas à Chico Fininho, etc.etc..
     Há uma história que se passou na minha sala de aula que demonstra o significado que o Porto D’Ave tinha para as crianças. Um dia a professora D. Graça mandou-nos fazer uma redacção sobre o que tínhamos feito no último Domingo. Cerca de metade da turma escreveu sobre a difícil vitória no complicado campo do Cavêz ,em que houve invasão de campo quando o árbitro validou um golo de Nano, um chapelão ao guardião adversário. O resultado foi 1 a 2 a nosso favor. A professora quando corrigiu os nossos trabalhos, não acreditava que tantos miúdos de nove anos tivessem acompanhado o nosso clube tão longe, e achou que tínhamos copiado o tema. Com os desenhos e os trabalhos manuais passava-se a mesma coisa. Tanto a tinta da china, como em barro, nos têxteis ou em metal, tudo dava para fazer o emblema do Porto D’Ave.



     Nos primeiros anos a equipa de futebol sénior era a única a competir em toda a colectividade, mas com o passar dos anos foram-se reunindo esforços para que fosse possível ter escalões de formação, começando por uma camada de Juniores. Como os resultados eram positivos, outros escalões se foram acrescentando ao ponto a que chegamos há mais de uma dúzia de anos em que nos orgulhamos de ter todos escalões de formação onde também já escrevemos muitas páginas douradas, e mais recentemente o nosso clube torna-se ainda maior e mais bonito com a equipa de futsal feminino.

     Hoje, com quase duas centenas de jogadores de várias idades e ambos os sexos, o nosso clube já não é só de Porto D’Ave, pois são muitos os sócios e adeptos das freguesias vizinhas. Possuímos um dos melhores parques desportivos de todos os clubes do futebol distrital bracarense, pois não houve até hoje uma direcção que não o melhorasse. Fomos brindados recentemente com o tão desejado “tapete verde”, mas sonhamos ainda com um segundo campo e um pavilhão gimnodesportivo para que a desvantagem em relação aos nossos adversários não seja tão acentuada. Sem grandes saltos, o Porto d’Ave nunca parou de crescer, tanto no património como no plano desportivo e assim irá continuar.
     A grandiosidade do Grupo Desportivo de Porto d’Ave é hoje reconhecida por todos, pois temos ombreado com clubes que representam cidades e sedes de concelho. Isto só é possível, porque a nossa camisola tornou-se de tal forma honrada, que muitos jogadores preferem vesti-la abdicando por vezes de avultados salários oferecidos por clubes que outrora tiveram nomes mais sonantes que o nosso. Também a nossa massa associativa tem características ímpares no apoio à equipa, e quando há mobilização para jogos mais importantes, os adeptos do Porto d’Ave tornam-se os melhores do mundo.
     O Porto d’Ave nasceu para ser grande, e já muito foi feito, mas há ainda muito a fazer para se tornar ainda maior, e todos temos o dever de continuar o trabalho iniciado pelos nossos pais e avós, que criaram este clube e o ajudaram a crescer. 
   E a todos estes homens temos que demonstrar gratidão, mas principalmente aqueles de quem o nome não consta em nenhuma acta e muito menos numa lápide. Que todos que fazem parte do nosso emblema e os que a ele se juntarem no futuro, saibam que em cada palmo daquele recinto estão lágrimas e suor de homens, alguns de idade bastante avançada e debilidade física, mas quando do Porto d'Ave se tratava, conseguiam inventar forças para trabalhar com o intuito apenas de ver o nome do clube do seu coração cada vez maior. Sem esses, o Porto d'Ave seria muito mais pobre, e a maior homenagem que lhes podemos fazer, é seguir o seu exemplo, e nunca deixar de os recordar. A eles dedico estas palavras.

(Tó de Porto d'Ave)

"Enquanto os rios corram, os montes façam sombra e no céu haja estrelas, deve durar a memória do bem recebido na mente do homem grato."
(Virgílio)