terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Carnaval Animado em Porto d'Ave



Depois do temporal do último Domingo ter obrigado ao cancelamento do Desfile de Carnaval, adiando-o para hoje, desta vez a nem a persistente 'chuva de molha-tolos' foi suficiente para impedir que dezenas de Pocahontas, Gatos das Botas, Sapos Cocas, uma multidão de Smurfs e Smurfinas e muitas outras personagens da animação infantil desfilassem com enorme entusiasmo, e o Carnaval saiu mesmo à rua em Porto d'Ave.
E tal como vem acontecendo nos anos anteriores, esta iniciativa partiu da esplêndida equipa do Centro Social, que juntamente com vários colaboradores, mais uma vez se empenhou numa actividade que ultrapassa largamente os seus deveres enquanto profissionais daquela instituição, prestando desta forma mais um notável serviço à nossa comunidade, onde voltaram a deixar bem vincada a sua aptidão para a organização de eventos assim, e que quer chova quer faça sol, sempre que metem mãos à obra é um êxito.
E o resultado final  foi, tal como era esperado, um dia repleto de cor e alegria estendidas pelas ruas de Porto d'Ave, onde nem a teimosa chuva e o frio que se revelava ainda mais agreste do que é habitual nesta época, afastavam a multidão que mesmo com o desfile terminado se manteve concentrada na Praça do Baldaquino, sempre num espírito de autêntico Carnaval.
No final, a festa continuou no Salão da Confraria, onde os mais idosos aguardavam a chegada do cortejo que com alguma consternação se viram impedidos de participar.
Estão de parabéns todos  que trabalharam, participaram ou simplesmente assistiram a este desfile, pois cada um fez parte do  espectáculo e de alguma forma contribuiu para que Porto d'Ave fosse mais uma vez palco duma festa memorável.












































































































sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Póvoa de Lanhoso Reconhecida Mundialmente

Póvoa de Lanhoso integra Rede de Comunidades Amigas de Idosos.


Professor John Beard, Director da Organização Mundial de Saúde (OMS) na Europa, entrega a Manuel Baptista, Presidente da Câmara da Póvoa de Lanhoso, o Diploma de “Território Amigo dos Idosos”. 

Este reconhecimento internacional é a consequência do trabalho social desenvolvido pela autarquia. Para além de ser um enorme orgulho integrar esta rede global, é também um estímulo para continuarmos a desenvolver projectos e práticas que valorizem os Povoenses de maior idade, aproveitando a sua experiência e contribuindo para a melhoria da sua qualidade de vida”
(Manuel Baptista)


   Esta distinção trouxe-me à memória uma frase que ouvi em 2005, na noite da primeira grande vitória de Manuel Baptista:

A Póvoa de Lanhoso ganhou o Melhor Presidente de Câmara desde o 25 de Abril”

   Estas palavras soaram pela voz de Amândio de Oliveira, que curiosamente também ele foi presidente da Câmara da Póvoa de Lanhoso no período referido. Não sei se Amândio de Oliveira as proferiu porque é reconhecidamente um grande orador e sabia que elas iam arrancar um ensurdecedor aplauso (como se verificou), ou se a sua experiência política adquirida ao longo de décadas, em que desempenhou várias funções na governação não apenas local mas também nacional, fez dele um visionário e já adivinhava o que hoje todos podemos constatar: “Manuel Baptista é de facto o Melhor Presidente de Câmara que a Póvoa conheceu desde o 25 de Abril”.
   É notório que, apesar da governação de Manuel Baptista coincidir com uma altura de recursos muito mais reduzidos do que os seus antecessores, (lembro que era o chamado tempo das 'vacas gordas' enquanto agora é a palavra 'austeridade' que está sempre no rodapé da televisão), não houve qualquer abrandamento a nível de investimento em infraestruturas necessárias para melhorar a qualidade de vida dos povoenses e tornar o nosso concelho mais atractivo, e aqui nota-se com evidência a experiência de gestão que o actual presidente adquiriu ao longo de vários anos na sua vida empresarial e que colocou ao serviço do município, provando que com menos é possível fazer mais.
   E se grande parte da obra realizada nestes dois mandatos está à vista de todos, há muitos resultados da actual gestão camarária que não se vêem, mas sentem-se, porque foi no interior de casas de famílias mais carenciadas que as algumas medidas adoptadas tiveram maior impacto, porque Manuel Baptista é um Presidente (e já era assim antes de pensar em ser presidente de câmara) que conhece as casas por dentro e por fora, porque é um homem que se relaciona com todos e está atento aos problemas sociais que afectam muitas famílias do nosso concelho e não poupa esforços para minimizá-los. 
   Numa altura em que as palavras 'crise' e 'desemprego' aparecem diariamente nas capas dos jornais e abertura dos noticiários televisivos do nosso país, faz ainda mais sentido que os lugares políticos estejam ocupados por homens e mulheres preocupados com a situação precária em que vivem sobretudo crianças e idosos, e solidariedade e preocupação com os mais desprotegidos, são valores que acompanham Manuel Baptista ao longo de toda a sua vida e passaram para dentro do gabinete de Presidente de Câmara, e os resultados dessa forma de estar na política, foram agora reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde (O.M.S.) com a entrega deste Diploma que é motivo de orgulho para todos nós.
   Recordo que já antes desta distinção além fronteiras, também cá dentro o Município da Póvoa de Lanhoso vem sendo desde 2010 o único no Minho a ser galardoado pelo 'Observatório das Autarquias Familiarmente Responsáveis' como reconhecimento das medidas de cariz social praticadas pelo executivo que gere os destinos do nosso concelho.
   Desta forma, à mensagem que Amândio que Oliveira nos transmitiu há quase oito anos, podemos acrescentar o seguinte: “Manuel Baptista não é apenas o Melhor Presidente de Câmara que a Póvoa conheceu desde o 25 de Abril, como é também o Homem Certo no Tempo Certo, porque nunca foi tão importante como nos dias que correm que nos destinos do nosso concelho esteja alguém que se preocupa com aqueles que dependem da solidariedade para sobreviver com a dignidade a que tem direito, e infelizmente, a Póvoa ainda não está preparada para perder um Presidente assim.

"A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana." 
(Franz Kafka)





sábado, 12 de janeiro de 2013

Adelino Abreu - Um artista de Porto d'Ave




"Porto d'Ave Tem Talento" é uma 'expressão' cada vez mais badalada, e não são raras as vezes que constatamos que ela faz todo sentido. Desta vez refiro-me a um artista plástico nado e criado na nossa terra. Chama-se Adelino Abreu, tem trinta anos e é o décimo primeiro de treze filhos do  já falecido Alberto Abreu e da Dona Angelina, com quem o artista e um irmão vivem actualmente no lugar de Santo Amaro.


Confesso que fui apanhado de surpresa, quando no último Verão me deparei com alguns dos seus trabalhos que estavam expostos no local onde funcionava o Bar Noite Gerações.
Não estando eu habilitado a fazer avaliações mais detalhadas neste campo, apenas posso dizer que fiquei impressionado, e era com enorme satisfação que escutava as críticas de várias pessoas,  que mais conhecedoras e preparadas nesta matéria, não poupavam comentários elogiosos a cada quadro.



Temos notado que nos arredores, tem surgido uma geração de pseudo-artistas com um tanto de pseudo-intelectualidade à mistura, que não param de fazer ruído a reclamar 'condecorações' e 'homenagens', fazendo lembrar os charlatões a vender seis pares de meias pelo preço de um, e depois reparamos que elas não tem calcanhar. 
Na verdade, quando a arte é exactamente isso, 'Arte', não há necessidade de pegar num altifalante para a fazer notar, e o Lino não reclama reconhecimento nem exige 'montras' para expor o seu trabalho. Este  artista, coloca a tela no cavalete, pega nas tintas e nos pincéis e,  discretamente faz aquilo que mais gosta, pinta, simplesmente pinta,  e o resultado da sua obra basta e não precisa de 'ruidar' para que ela seja notada. 
Parabéns Lino, continua a pintar e a maravilhar-nos com obras de arte como a do Santuário de Nossa Senhora do Porto d'Ave que encabeça este post, que é sem dúvida aquela que, pelas mais variadas razões, eu mais admiro.





domingo, 23 de dezembro de 2012

Mensagem de Natal - 2012


A administração do Blogue deseja um Feliz Natal a todos filhos de Porto d'Ave espalhados pelo mundo, e deixo esta mensagem que João Paulo II nos transmitiu nesta quadra em 1978, no seu primeiro ano de Pontificado.


MENSAGEM   DO PAPA JOÃO PAULO II
 PARA O NATAL DE 1978
BÊNÇÃO URBI ET ORBI

Esta mensagem, quero dirigi-la a todos os homens e a cada um; ao homem, na sua humanidade. Natal é a festa do homem. Nasce o Homem; um dos milhares de milhões de homens que nasceram, nascem e nascerão sobre a terra. Um homem, um elemento componente da grande estatística. Não foi por acaso que Jesus veio ao mundo no período do recenseamento; quando um imperador romano quis saber quantos súbditos tinha o seu país. O homem feito objecto do cálculo, considerado sob a categoria da quantidade, um entre os milhares de milhões. E, ao mesmo tempo, um, único e singular. Se nós celebramos assim tão solenemente o Nascimento de Jesus, fazemo-lo para testemunhar que todo e qualquer homem é alguém, único e que não se pode repetir. Se as nossas estatísticas humanas, as catalogações humanas, os humanos sistemas políticos, económicos e sociais, as simples humanas possibilidades não conseguem assegurar ao homem que este possa nascer, existir e operar como um único e singular, então assegura-lho Deus. Para Ele e perante Ele, o homem é sempre único e singular; alguém que foi eternamente ideado e designado com o seu próprio nome.
Assim como sucedeu com o primeiro homem, Adão; e assim como sucede com este novo Adão, que nasce da Virgem Maria na gruta de Belém: dar-lhe-ás o nome de Jesus (Lc. 1, 31)

Esta mensagem, pois, é dirigida a todos os homens e a cada um, exactamente enquanto homem, à sua humanidade. É a humanidade, de facto, que é elevada com o nascimento terreno de Deus. A humanidade, "a natureza" humana foi assumida na unidade da Divina Pessoa do Filho, na unidade do Eterno Verbo, em que Deus Se exprime eternamente a Si mesmo; esta Divindade Deus a exprime em Deus: Deus verdadeiro; o Pai no Filho e de ambos o Espírito Santo.
Na solenidade do dia de hoje nós elevamo-nos também no sentido deste mistério inscrutável, deste Nascimento Divino.
Ao mesmo tempo, o Nascimento de Jesus em Belém testemunha que Deus exprimiu esta Palavra eterna no tempo, na história. Desta "expressão" Ele fez e continua a fazer a estrutura da história do homem. O Nascimento do Verbo Encarnado é o inicio de uma nova força da mesma humanidade; a força que está ao alcance de todos os homens, segundo as palavras de São João: deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo. 1, 12). É em nome deste singular valor de todos e cada um dos homens, em nome desta força que é trazida para todos e cada um dos homens pelo Filho de Deus ao tornar-se homem, que eu me dirijo nesta mensagem sobretudo ao homem:
A todos os homens e a cada um: onde quer que trabalhe, crie, sofra, lute, peque, ame, odeie e duvide; onde quer que viva e morra; a ele eu me dirijo, hoje, com toda a verdade do Nascimento de Deus; com a Sua mensagem.

O homem vive, trabalha, cria sofre, luta, ama, odeia, duvida, cai e levanta-se em comunhão com os outros homens.
Portanto, dirijo-me a todas as vã rias comunidades. Aos Povos, às Nações, aos Regimes, aos Sistemas políticos, económicos, sociais e culturais e digo-lhes: — Aceitai a grande verdade sobre o homem;
 — Aceitai a verdade plena acerca do homem, que foi pronunciada na Noite de Natal;
— Aceitai esta dimensão do homem, que se patenteou a todos os homens naquela Santa Noite!
— Aceitai o mistério, no qual todos os homens e cada um vive desde quando Cristo nasceu.
 — Permiti a este mistério agir em todos e cada um dos homens!
 — Permiti-lhe que ele se desenvolva nas condições exteriores do seu ser terreno.
 Neste mistério se encerra a força da humanidade. A força que irradia sobre tudo aquilo que é humano. Não torneis difícil uma tal irradiação. Não a destruais. Tudo aquilo que é humano cresce a partir desta força; sem ela debilita-se; sem ela arruina-se.
E por isso, agradeço-vos a todos vós — Famílias, Nações, Estados, Sistemas políticos, económicos, sociais e culturais — por tudo aquilo que fazeis para que a vida dos homens se possa tornar nos seus diversos aspectos cada vez mais humana, isto é mais digna do homem. Auspicio de todo o coração e suplico-vos que não vos canseis nunca em tal esforço, em tal aplicação.

Glória a Deus com mais alto dos céus! (Lc. 2, 14).
Deus aproximou-se, Deus está no meio de nós. É Homem. Nasceu em Belém. Está deitado numa manjedoura porque não havia lugar para Ele na hospedaria (Cfr. Lc. 2.7)
O seu nome: Jesus! A sua missão: Cristo!
É Mensageiro de grande Conselho, Conselheiro admirável (Is. 9. 5); e nós, com tanta frequência, ficamos irresolutos, e os nossos conselhos não produzem os frutos desejados.
É Pai perpétuo (Ibidem) — "Pater futuri saeculi, Princeps pacis"; e, apesar de nos separarem dois mil anos do Seu nascimento, Ele está sempre diante de nós e sempre nos precede. Devemos "correr atrás d'Ele" e procurar alcançá-lo.
É a nossa Paz! A Paz dos homens! A Paz dos homens que Ele ama (Lc. 2, 14). Deus agradou-se do homem por Cristo. Assim, este homem, não se pode destruí-lo; não se pode aviltá-lo; não é permitido odiá-lo!
Paz aos homens de boa vontade! A todos eu dirijo o convite instante a orarem, juntamente com o Papa, pela Paz, em particular hoje e daqui a oito dias, data em que celebraremos o "Dia da Paz".

Feliz Natal a todos os homens e a cada um dos homens!
O meu pensamento — com os meus votos cheios de afecto cordial e de sincero respeito — vai para vós, Irmãs e Irmãos, que vos encontrais presentes aqui nesta Praça; vai para todos vós, os que, através dos meios de comunicação social, tendes a possibilidade de vos pordes em sintonia com esta breve cerimónia; vai para vós todos, os que procurais sinceramente a verdade, os que tendes tome e sede de justiça, os que anelais pela bondade e pela alegria; vai para vós, pais e mães de família; para vós trabalhadores e profissionais; para vós, jovens; para vós adolescentes; para vós crianças; vai para vós, pobres; para vós, doentes; para vós, anciãos; para vós, encarcerados; e para todos vós, enfim, os que vos achais na impossibilidade de passar o Santo Natal em família, na companhia dos vossos entes queridos.
FELLIZ NATAL:

(JOÃO PAULO II)  (Natal de1978) 

sábado, 1 de dezembro de 2012

Centro Social promove Caminhada Solidária


Organizar eventos, onde o prazer de participar está aliado à angariação de receitas necessárias para proporcionar melhores condições para os utentes, é uma arte a que o Centro Social de Porto d'Ave nos vem habituando. Desta vez, a iniciativa foi mais uma 'Caminhada' com um itinerário de cerca de uma dúzia de quilómetros a ser percorrido por várias dezenas de participantes, onde além dos benefícios para a saúde, todos ficavam contagiados com o ambiente animado que pairava no ar e ainda desfrutamos de algumas paisagens magníficas, que apesar de estarem tão próximas, não tínhamos oportunidade de as admirar se não fossem criadas actividades como esta. Pelo meio, e quando as energias já começavam a escassear, beneficiamos também dum reforço alimentar já incluído no simbólico valor da inscrição.
No final, mesmo sendo evidentes alguns sinais de cansaço, a satisfação era geral e várias vozes se levantavam a perguntar quando vem a próxima caminhada. Aguarda-se ansiosamente a data.
Resta dar os parabéns à 'equipa' do Centro Social por mais esta iniciativa, que juntamente com tantas outras vai estendendo cor e alegria pelas ruas de Porto d'Ave.






































segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Grupo Desportivo Porto d'Ave - 34º Aniversário



DEUS quer, o Homem sonha, a Obra nasce
     Aos 27 de Novembro de 1978, o Grupo Desportivo de Porto D’Ave torna-se o mais jovem clube da Associação de Futebol de Braga. Este foi um grande passo na vida da colectividade, mas não foi aqui que tudo começou. O Porto D’Ave nesta altura já era grande. Antes desta data, ninguém da nossa freguesia ficava em casa nos dias de jogo nos torneios que se realizavam em Castelões e Brunhais. Lembro-me de grandes tardes e manhãs de futebol nessa saudosa década de setenta como se fossem ontem. Na abertura dum torneio contra uma “potência” do futebol daquela altura, o Serafão, em que vencemos por 5 a 0. Também num jogo em Castelões contra o Gonça, quando antes do intervalo o resultado já era favorável aos “nossos” por 2 a 0, com ambos os golos apontados por Tuxa (da D. Laura) e de repente um “tornado” protagonizado pelos adeptos de ambas equipas impediu que o jogo chegasse ao fim. (também aqui eramos os melhores!!!). Aquela final contra o Travassos, em que vencemos por 2 a 1, sendo este o único golo sofrido em toda a competição. O Guardião quase imbatível desse torneio era o senhor Carlos Rufino, naquela altura “Caló”. Sempre que olho para a taça de campeões desse torneio, recordo todas as emoções que sentia. Haviam ainda poucos carros na freguesia, mas para acompanhar o Porto d'Ave as caravanas eram sempre enormes. As camionetas também eram necessárias para levar todos os adeptos e os que iam na carroça eram sempre os mais ruidosos. Haviam duas bandeiras enormes com quadrados pequenos e mal feitos que estavam sempre presentes, e o apoio à equipa era feito a cantar as lindas canções da nossa terra. O Porto D’Ave não era ainda federado, mas já era muito grande, e eu, ainda criança, olhava para os rapazes das outras freguesias cheio de vaidade, pois eu era de Porto D’Ave e eles não. Já se cultivava o orgulho Portodavense.
     Neste tempo, contavam-se histórias do passado que me fascinavam e me fazia compreender que a grandiosidade do Porto d’Ave já vinha de longe. Falavam de jogos em que iam a pé e descalços, e só calçavam as botas, quem as tivesse, para jogar. O resultado era sempre o mesmo, os “nossos” ganhavam. Às vezes também perdiam, mas esses episódios contavam-se em dois segundos, as vitórias é que importava recordar repetidamente sem que nada ficasse esquecido.
     Enquanto escrevo estas linhas, recordo imagens de homens que já não estão cá a festejar os golos e as vitórias. Quando a taça era nossa, e era quase sempre, enchia-se de champanhe e todos bebiam por ela. A festa durava até ao dia seguinte. Apesar de se repetirem em cada torneio, aqueles momentos eram únicos. Enquanto a festa durava, estavam esquecidas as amarguras da vida que afectavam grande parte da população, pois eram tempos difíceis.
     Uma das razões que tornavam o Porto D’Ave mais vencedor que os adversários, era o facto de nessa altura já treinar todos dias, pois não havia um final de tarde em que a bola não saltasse no terreiro até ao anoitecer. Todos estavam convocados, e depois dum dia de trabalho árduo, a ninguém faltava energia para dar o litro atrás da bola.
     E foi graças a todo este entusiasmo que um grupo de homens da nossa terra reuniu para passar à fase seguinte, e assim nasceu o Grupo Desportivo de Porto D’Ave. Presto a minha homenagem e deixo aqui os meus agradecimentos enquanto Portodavense, a estes homens e muitos outros, que sem que o seu nome saísse do anonimato, foram imprescindíveis na criação do nosso clube. Penso que estes homens há mais de trinta anos, já sabiam que estavam a criar este grande clube. Foram ambiciosos na aquisição dos terrenos que com dificuldade lá se foram pagando e que tão importantes foram para que se construíssem aquelas magnificas instalações. Os primeiros anos foram os mais difíceis, mas a união era tal que todas as barreiras foram ultrapassadas.
     Os jogadores do Porto D’Ave passaram a ser os ídolos das crianças da escola. No recreio quando jogávamos à bola, marcávamos golos à Guilherme e à Gito, dávamos cabeçadas à Quim Moreira, fazíamos fintas á Peão, carrinhos à Firo, passes à Santos, caneladas à Araújo, defesas à Chico Fininho, etc.etc..
     Há uma história que se passou na minha sala de aula que demonstra o significado que o Porto D’Ave tinha para as crianças. Um dia a professora D. Graça mandou-nos fazer uma redacção sobre o que tínhamos feito no último Domingo. Cerca de metade da turma escreveu sobre a difícil vitória no complicado campo do Cavêz ,em que houve invasão de campo quando o árbitro validou um golo de Nano, um chapelão ao guardião adversário. O resultado foi 1 a 2 a nosso favor. A professora quando corrigiu os nossos trabalhos, não acreditava que tantos miúdos de nove anos tivessem acompanhado o nosso clube tão longe, e achou que tínhamos copiado o tema. Com os desenhos e os trabalhos manuais passava-se a mesma coisa. Tanto a tinta da china, como em barro, nos têxteis ou em metal, tudo dava para fazer o emblema do Porto D’Ave.
     Nos primeiros anos a equipa de futebol sénior era a única a competir em toda a colectividade, mas com o passar dos anos foram-se reunindo esforços para que fosse possível ter escalões de formação, começando por uma camada de Juniores. Como os resultados eram positivos, outros escalões se foram acrescentando ao ponto a que chegamos há mais de uma dúzia de anos em que nos orgulhamos de ter todos escalões de formação, onde já também já escrevemos muitas páginas douradas na história do nosso clube.
     Hoje, com quase duas centenas de jogadores de várias idades, o nosso clube já não é só de Porto D’Ave, pois são muitos os sócios e adeptos das freguesias vizinhas. Possuímos um dos melhores parques desportivos de todos os clubes do futebol distrital bracarense, pois não houve até hoje uma direcção que não o melhorasse. Avizinha-se agora o tão desejado “tapete verde”, necessidade que também sonhamos ver resolvida para que a desvantagem em relação aos nossos adversários não seja tão acentuada. Sem grandes saltos, o Porto d’Ave nunca parou de crescer, tanto no património como no plano desportivo e assim irá continuar.
     A grandiosidade do Grupo Desportivo de Porto d’Ave é hoje reconhecida por todos, pois temos ombreado com clubes que representam cidades e sedes de concelho. Isto só é possível, porque a nossa camisola tornou-se de tal forma honrada, que muitos jogadores preferem vesti-la abdicando por vezes de avultados salários oferecidos por clubes que outrora tiveram nomes mais sonantes que o nosso. Também a nossa massa associativa tem características ímpares no apoio à equipa, e quando há mobilização para jogos mais importantes, os adeptos do Porto d’Ave tornam-se os melhores do mundo.
     O Porto d’Ave nasceu para ser grande, e já muito foi feito, mas há ainda muito a fazer para se tornar ainda maior, e todos temos o dever de continuar o trabalho iniciado pelos nossos pais e avós, que criaram este clube e o ajudaram a crescer. E a todos temos que demonstrar gratidão, mas principalmente aqueles de quem o nome não consta em nenhuma acta e muito menos numa lápide. Que todos que fazem parte do nosso emblema e os que a ele se juntarem no futuro, saibam que em cada palmo daquele recinto estão lágrimas e suor de homens, alguns de idade bastante avançada e debilidade física, mas quando do Porto d'Ave se tratava, conseguiam inventar forças para trabalhar com o intuito apenas de ver o nome do clube do seu coração cada vez maior. Sem esses, o Porto d'Ave seria muito mais pobre, e a maior homenagem que lhes podemos fazer, é seguir o seu exemplo, e nunca deixar de os recordar. A eles dedico estas palavras.

(Tó de Porto d'Ave)

"Enquanto os rios corram, os montes façam sombra e no céu haja estrelas, deve durar a memória do bem recebido na mente do homem grato."
(Virgílio)