
8ª Jornada
A. D. Terras de Bouro ___ G. D. Porto d'Ave
A minha terra não é minha... Eu é que sou da minha terra.

Depois de dois dias de intenso Inverno que chegou logo que o Verão disse adeus, visto que no presente ano Portugal trocou o Outono por um segundo aumento de impostos, a tarde de hoje embora cinzenta ofereceu condições para a realização dum jogo de futebol, e o Porto d’Ave defrontou em casa a equipa de Cabreiros que milita na segunda divisão distrital num jogo referente à primeira mão da segunda eliminatória da Taça da Associação de Futebol de Braga.
O Porto d’Ave entrou decidido apagar uma imagem menos conseguida na partida anterior, e logo no primeiro minuto esteve perto de inaugurar o marcador através de Pivas. Ao quinto minuto foi a vez de Pimenta assustar o guardião adversário ao enviar a bola ao poste. Mas no segundo quarto de hora da primeira parte a pontaria dos nossos jogadores ficou mais afinada e enviaram por quatro vezes a bola para o fundo da baliza. Um bis de Pesca, um golo de Pimenta e outro de Carlinhos colocaram o placar em quatro a zero à passagem da meia hora, resultado que não sofreu alterações até ao intervalo.
Na segunda parte e equipa forasteira entrou com outra postura e conseguiu reduzir a desvantagem com um golo obtido através dum livre e passados dez minutos Pimenta voltava a fazer o gosto ao pé fixando o resultado em cinco a um. 
As oportunidades continuaram a surgir para ambos os lados sendo facilmente visível superioridade dos nossos jogadores que realizaram uma excelente partida apesar das condições do terreno estarem longe de ser as adequadas para a prática de futebol. 
O jogo terminou com uma vantagem considerável para o Porto d’Ave, mas esta eliminatória ainda vai no intervalo. No entanto estamos confiantes que no final dos noventa minutos que faltam jogar em Cabreiros o nosso passaporte receberá o carimbo para seguir em frente na prova e manter vivo o velho sonho de marcar presença numa final da Taça da Associação de Futebol de Braga.
Quando o desafio terminou estava a Noite das Bruxas à porta, mas desta vez elas revelaram-se ainda de dia. Estávamos no início da tarde quando se apresentaram no nosso Parque de Jogos. Ninguém notou que eram “elas” porque estavam disfarçadas. Em vez utilizarem uma vassoura voadora como meio de transporte chegaram numa Mercedes escura e substituíram os tradicionais chapéus altos e vestidos compridos por equipamentos amarelos com um emblema da Associação de Futebol de Braga ao peito, mas o som dum apito mágico e algumas coreografias com umas bandeirolas denunciaram a sua presença. Houve quem escutasse dentro do balneário gritos numa linguagem desconhecida, sendo possível decifrar algumas palavras como caldeirão ou asa de morcego em pó. Desconheço essas bizarras receitas, mas o que é certo é que um estranho cozinhado foi transportado para dentro das quatro linhas fazendo desaparecer e aparecer regras de futebol perante atletas e adeptos de ambas equipas que assistiam boquiabertos a todo aquele espectáculo sombrio e paranormal. Eu também era dos que não acreditava, mas hoje vi com os meus olhos. Que as há…há!








Na segunda parte, foi o Porto d'Ave quem tomou conta do jogo criando diversas oportunidades para marcar. A primeira foi logo aos três minutos através de Filipe Gonça que remata por cima da barra. Ao minuto dezoito Pivas e Daniel entraram para os lugares de Jaqques e Zé Beto, e a partir deste momento o jogo instalou-se à volta da baliza do guardião da casa. Um penalty ao minuto vinte e oito que ficou por assinalar e as oportunidades de Pesca e Pivas foram os lances com maior destaque neste período. E como se adivinhava o golo a qualquer momento, o árbitro da partida resolve pôr um travão no ascendente do Porto d'Ave e mostra a segunda cartolina amarela ao central Neves quando considera mão uma bola inofensiva ganha de peito ao meio campo. Passados dois minutos contra a corrente do jogo, o Polvoreira faz um golo no único remate efectuado à baliza de Abreu na segunda parte.
Mas o lance mais vergonhoso ainda estava para acontecer. Já em período de descontos, Raul é derrubado na zona de penalty num lance em que o tal do apito viu, pois foi uma falta escancarada mesmo à sua frente mas àquela hora seria complicado assinalar uma vez que em caso de golo já não dava tempo para recolocar o Polvoreira em vantagem, e mesmo perante a evidência da falta a dois metros do lugar onde se encontrava, faz gestos ao nosso jogador para se levantar sem assinalar o castigo máximo. Comprometido sem dúvida alguma. E assim o Porto d'Ave abandonou a partida não com três pontos perdidos, mas sim com três pontos roubados. 
Trinta e três mineiros chilenos estão há mais de dois meses presos numa mina de ouro e cobre quase setecentos metros abaixo da superfície. Durante todo este período demonstraram ser dotados de uma grande coragem e nunca perderam a esperança num final feliz. O actual momento é de enorme ansiedade, pois o fim de todo esse pesadelo poderá estar próximo. O processo para os salvar é muito delicado e o seu êxito depende de várias operações levadas a cabo por especialistas em áreas como engenharia e psicologia onde até hoje foram superadas as melhores expectativas. Além da ciência e tecnologia estes homens contam com a sempre indispensável ajuda de DEUS. Que Nossa Senhora do Porto d’Ave ilumine as próximas horas destes heróis até que todos estejam no aconchego das suas famílias.

O Santuário de Nossa Senhora do Porto d’Ave acolheu no primeiro fim de semana de Outubro um Peregrino francês que vem percorrendo milhares de kilómetros a pé visitando vários Santuários espalhados por toda a Europa. Além da ajuda de DEUS conta com a mão amiga daqueles por onde passa para se instalar e alimentar. De Jerusalém a Fátima vai visitando os mais simbólicos lugares de peregrinação como Santiago de Compostela, a sua anterior paragem, e agora dirige-se para Fátima. Mas o seu percurso nunca ficaria completo se não fizesse um desvio por um dos Bastiões da Fé e Devoção à Virgem Maria sem deixar de se deliciar com toda a riqueza arquitectónica, paisagística e cultural que o nosso Santuário tem para oferecer. Para nós, é motivo de congratulação constatar que chega tão longe a mensagem do Milagre de Nossa Senhora do Porto d’Ave que há quase três séculos atrai milhares de devotos todos anos.






