Real Confraria N. S. Porto d'Ave vence duelo que se arrasta há quase três séculos contra Câmara Municipal de Braga.
Foram necessários mais de dois séculos e meio para ser encontrada a resolução do litígio que opunha a Real Confraria de Nossa Senhora do Porto d'Ave e a Câmara Municipal de Braga.
Foi em meados do século XVIII que a maior autarquia do Minho contraiu uma dívida que terá, finalmente, que liquidar.
Era normal, nesta época, que instituições públicas recorressem a créditos com juros reduzidos cedidos pelas irmandades religiosas. Desta forma, a câmara municipal de Braga bateu à porta da Real Confraria de Nossa senhora do Porto d'Ave para conseguir financiamento para a construção do edifício que, ainda hoje, é o local onde são tomadas quase todas as decisões daquele concelho.
O empréstimo foi concedido e desde essa data, Portugal viveu algumas revoluções com modelos de estado a ser derrubados para dar lugar a outros. Toda a confusão gerada ia dando jeito aos devedores que assim ganhavam tempo na esperança que esse mesmo tempo se encarregasse de apagar as dívidas da memória.
E se na “Cidade dos Arcebispos” se tentava empurrar o assunto para o fundo da gaveta, já naquele santuário Mariano que desponta sublimemente na margem direita do rio Ave, é tradição honrar-se os compromissos, sejam eles favoráveis ou não, e nunca a quantia de que é credora foi esquecida. Era um duelo desigual e o assunto andou num complexo jogo jurídico até que, depois de empurra para cá e empurra para lá, a batalha chegou ao fim e, tal como no Livro de Samuel no Antigo Testamento, também aqui Golias acabou derrotado perante um adversário que julgou ainda mais pequeno que David, quando o veredito final, com a maior clareza, condenou a autarquia da capital do Minho ao pagamento do montante cedido na época e, como os documentos do contrato confirmam, será acrescido da taxa de juro de 2% ao ano. .
Neste momento não nos foram fornecidos números e muito menos o montante que fica após ser transformado no câmbio actual, mas se avaliarmos o edifício em questão, situamo-nos aproximadamente na quantia que podemos estar a falar.
Neste momento não nos foram fornecidos números e muito menos o montante que fica após ser transformado no câmbio actual, mas se avaliarmos o edifício em questão, situamo-nos aproximadamente na quantia que podemos estar a falar.
Na verdade, não se pode dizer que foi feita justiça, pois vem tardia e o nosso santuário já teve que se privar de parte do seu património para financiar a preservação de vários monumentos. Seja como for, mais vale tarde que nunca.
Perante a impossibilidade de recorrer desta decisão, a câmara municipal de Braga, em jeito de vingança, decidiu antecipar o a Noite Branca para o final de semana em que é realizada a Romaria de Porto d'Ave e não se irá privar de gastar centenas de milhar de euros, uma avultada quantia de dinheiro que não fica bem a quem devia preocupar-se primeiro em cumprir as suas obrigações. Uma atitude mesquinha e deselegante da parte dos responsáveis por este evento que não deviam acolher esta decisão como uma derrota, mas sim como um acto de justiça.
Quanto à Romaria de Porto d'Ave, irá ser gasto apenas o dinheiro que é oferecido para esse fim e será como sempre foi: durante nove dias e nove noites terminando no primeiro Domingo de Setembro e sem dúvida alguma que continuará a ser uma das maiores Romarias de Portugal.
Quanto à Romaria de Porto d'Ave, irá ser gasto apenas o dinheiro que é oferecido para esse fim e será como sempre foi: durante nove dias e nove noites terminando no primeiro Domingo de Setembro e sem dúvida alguma que continuará a ser uma das maiores Romarias de Portugal.
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