sexta-feira, 1 de abril de 2016

Real Confraria N. S. Porto d'Ave vs C. M. de Braga

Real Confraria N. S. Porto d'Ave vence duelo que se arrasta há quase três séculos contra Câmara Municipal de Braga.

Foram necessários mais de dois séculos e meio para ser encontrada a resolução do litígio que opunha a Real Confraria de Nossa Senhora do Porto d'Ave e a Câmara Municipal de Braga.
Foi em meados do século XVIII que a maior autarquia do Minho contraiu uma dívida que terá, finalmente, que liquidar.

Era normal, nesta época, que instituições públicas recorressem a créditos com juros reduzidos cedidos pelas irmandades religiosas. Desta forma, a câmara municipal de Braga bateu à porta da Real Confraria de Nossa senhora do Porto d'Ave para conseguir financiamento para a construção do edifício que ainda hoje é o local onde são tomadas quase todas as decisões daquele concelho.
O empréstimo foi concedido e desde essa data, Portugal viveu algumas revoluções com modelos de estado a ser derrubados para dar lugar a outros, e toda a confusão gerada ia dando jeito aos devedores que assim ganhavam tempo na esperança que esse mesmo tempo se encarregasse de apagar as dívidas da memória.
E se na “Cidade dos Arcebispos” se tentava empurrar o assunto para o fundo da gaveta, já naquele santuário Mariano que desponta sublimemente na margem direita do rio Ave, é tradição honrar-se os compromissos sejam eles favoráveis ou não, e nunca a quantia de que é credora foi esquecida. Era um duelo desigual e o assunto andou num complexo jogo jurídico até que, depois de empurra para cá e empurra para lá, a batalha chegou ao fim e, tal como no Livro de Samuel no Antigo Testamento, também aqui Golias acabou derrotado perante um adversário que julgou ainda mais pequeno que David quando o veredito final, com a maior clareza, condenou a autarquia da capital do Minho ao pagamento do montante cedido na época e, como os documentos do contrato confirmam, será acrescido da taxa de juro de 2% ao ano. .

 Neste momento não nos foram fornecidos números e muito menos o montante que fica após ser transformado no câmbio actual, mas se avaliarmos o edifício em questão situamo-nos aproximadamente na quantia que podemos estar a falar.
 Na verdade, não se pode dizer que foi feita justiça, pois vem tardia e o nosso santuário já teve que se privar de parte do seu património para financiar a preservação de vários monumentos. Seja como for, mais vale tarde que nunca.
  Perante a impossibilidade de recorrer desta decisão, a câmara municipal de Braga, em jeito de vingança, decidiu antecipar o a Noite Branca para o final de semana em que é realizada a Romaria de Porto d'Ave e não se irá privar de gastar centenas de milhar de euros, uma avultada quantia de dinheiro que não fica bem a quem devia preocupar-se primeiro em cumprir as suas obrigações. Uma atitude mesquinha e deselegante da parte dos responsáveis por este evento que não deviam acolher esta decisão como uma derrota, mas sim como um acto de justiça. 
Quanto à Romaria de Porto d'Ave, irá ser gasto apenas o dinheiro que é oferecido para esse fim e será como sempre foi: durante nove dias e nove noites terminando no primeiro Domingo de Setembro e sem dúvida alguma que continuará a ser uma das maiores Romarias de Portugal.











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