Terminou a época 2010/2011, e na última jornada do campeonato estava reservado para o nosso Parque de Jogos uma partida que opunha Porto d’Ave e Arões, dois velhos rivais que mais uma vez realizaram uma excelente época. Também a aproximação na tabela classificativa, apenas dois pontos de diferença com vantagem para o nosso adversário de hoje, justificava a adesão de muitos adeptos de ambos os emblemas, mas ao contrário do que seria de esperar, a nossa bancada não ficou preenchida como é habitual, e foi com surpresa constatar o desinteresse num desafio que podia terminar com as posições destas duas equipas invertidas, ainda com a possibilidade do Porto d’Ave poder alcançar o quarto lugar, o que significaria a melhor classificação de sempre do nosso clube na mais alta divisão de futebol distrital.

Os nossos jogadores, embora estivessem dependentes de resultados de jogos que estavam a ser disputados à mesma hora noutros recintos, sabiam que podiam fazer história se conseguissem arrecadar os três pontos em disputa, e além disso queriam deixar uma vitória gravada na memória dos adeptos no jogo da despedida da época 2010/2011, e por isso equiparam-se de Vontade de Vencer e remaram de forma incansável durante noventa minutos.

Mas pela frente estava outra grande equipa, que já na época passada disputou a subida de divisão até à última jornada, e agora, embora retirada da possibilidade da promoção, mais uma vez queria repetir a proeza de alcançar o terceiro lugar do pódio. A grande exibição e a consequente vitória do Porto d’Ave no jogo da primeira volta, estava ainda bem presente na memória destes jogadores, que por um lado se mostravam apreensivos com a possibilidade de se repetir a mesma tendência, e por outro queriam apagar a má imagem dessa partida e dar uma resposta vencedora.
Desta forma, aquele que muitos consideravam ser apenas uma partida para cumprir calendário, veio a tornar-se num grande jogo de futebol, como podem testemunhar as poucas dezenas de pessoas que marcaram presença na nossa bancada, e desde o primeiro minuto que assistimos a duas equipas do pelotão da frente da tabela classificativa a correr com o objectivo de ouvir o último apito da época com os três pontos na bagagem, com o Porto d'Ave a assumir esse propósito com maior nitidez. Mas só podia haver um vencedor, e apesar dos nossos jogadores voltarem a realizar uma grande exibição, essa não ficou traduzida no resultado final, e foi com uma enorme injustiça que o Porto d’Ave terminou a época com o amargo sabor da derrota.

Mas se a falta de sorte faz parte do futebol, já a inclinação do campo provocada por um apito e duas bandeirolas é mais difícil de aceitar, e esse factor foi ainda mais determinante que a ineficácia dos nossos jogadores no momento da finalização, contribuindo claramente para o resultado final. Mas a culpa não é apenas deste trio, mas também de quem nomeou para esta partida uma equipa de arbitragem de quem se conhecem afirmações que dizem nitidamente que querem prejudicar o Porto d'Ave (o termo proferido pelo sujeito não foi bem este, mas o blogue tem regras relativamente ao vocabulário). Quem nos coloca gente desta no caminho é conhecedor destas tristes afirmações, e lá saberá com que intenção o faz.

Relativamente à prestação das duas equipas, a primeira oportunidade pertenceu ao Arões, quando estavam dez minutos decorridos, através dum cruzamento rasteiro que levava muito perigo à baliza de Abreu, mas a classe e experiência de Castelar impediu o adversário de interceptar a bola, que acaba por sair pela linha de cabeceira . A partir daqui só deu Porto d’Ave com o maior sinal de perigo a surgir na sequência duma grande jogada entre Leandro e Pimenta que acaba com o primeiro a ser derrubado dentro da área, com o penalty a ser prontamente assinalado, mas o fiscal de linha recua na decisão inicial e transforma o castigo máximo que antes não teve dúvidas num livre em cima da linha. Mesmo assim a ameaça de golo era eminente, mas desta vez a bola passa sobre a barra depois de sair do pé esquerdo de Pimenta.
Logo de seguida o Porto d’Ave beneficia dum canto apontado por Zé Beto, e o guardião Paulo Jorge desvia da zona de perigo com muita dificuldade. Aos vinte minutos foi a vez de Pimenta ameaçar a mesma baliza ao tentar enviar a bola para o fundo das redes através dum canto directo, mas apenas ganha a repetição do lance. Desta vez, a bola é cruzada para a cabeça de Neves, que também já nos habituou a marcar golos assim, mas desta vez envia à barra.

O perigo morava junto à baliza do Arões, e com metade da primeira parte decorrida já eram incontáveis as oportunidades desperdiçadas pelos nossos jogadores, e o golo voltou a estar perto através duma grande jogada de Zé Beto, que depois de ultrapassar o guardião não consegue servir Pimenta que se preparava para fazer mais um golo no campeonato, mas a bola é desviada por um defesa para canto. Deste lance, o sufoco voltava a instalar-se na defesa do Arões, mas mais uma vez a sorte a proteger os forasteiros.

Estava já meia hora jogada quando surge mais uma grande situação, com Pimenta a não aproveitar um cruzamento tirado a régua e esquadro por Leandro, e cabeceia ligeiramente ao lado do poste. As oportunidades para marcar não tinham descanso naquela baliza, mas a bola teima em escolher outro caminho desviando-se sempre do fundo das redes.

E mais uma vez o velho ditado a fazer-se valer, e quem não marca acaba por sofrer, e em cima do intervalo a equipa de Arões coloca-se em vantagem com um golo obtido na sequência duma jogada em que a bandeirola do fiscal de linha fica por levantar, quando o autor do golo estava claramente em posição ilegal no momento em que foi feito o passe. Uma injustiça e não só, a colocar o nosso adversário em vantagem antes do chá.
No regresso dos balneários, o ascendente do Porto d’Ave continuava a fazer-se notar e adivinhava-se a reviravolta no resultado, tal era a superioridade demonstrada pelos nossos jogadores dentro das quatro linhas. Aos dez minutos deste período, o guardião Paulo Jorge tem dificuldade em dois cantos seguidos para afastar a bola da sua baliza. Passados três minutos, Leandro, (que realizou uma grande partida tal como tinha feito na primeira volta no recinto deste adversário), ganha um canto com um remate pelo lado esquerdo e na conversão do lance, a cabeça de Pimenta volta a não conseguir acertar na baliza, quando mais uma vez a bancada se preparava para festejar.

Mas a falta de pontaria do nosso goleador terminou ao minuto dezoito, quando novamente de cabeça consegue enviar a bola para o fundo das redes, mas mais uma vez assistimos a um atropelo das regras de futebol, e de forma incrível, o mesmo fiscal de linha que tinha validado um golo à margem das regras na primeira parte, agora dava mais uma clara demonstração de estar ali para prejudicar o Porto d'Ave e inventa uma posição irregular a Pimenta, anulando-lhe o décimo sexto golo do campeonato.
Apesar das adversidades, a nossa equipa não baixava os braços, e só a meio da segunda parte é que o perigo chegou perto da baliza de Abreu, num lance de contra-ataque resolvido com alguma dificuldade. O Porto d’Ave não desistia de procurar outro resultado, e os argumentos que apresentava dentro das quatro linhas permitiam-nos acreditar que o desfecho ainda fosse o da vitória, mas a partir daqui, os nossos jogadores iam perdendo alguma serenidade jogando mais com o coração, e mesmo assim as oportunidades para marcar continuavam a surgir, mas a bola teimava em não entrar. E tal como na primeira parte também aqui, com o tempo a esgotar-se, foi a equipa de Arões que mais uma vez contra a corrente do jogo e num lance de contra-ataque, conseguiu marcar e ampliar para dois a zero, e pouco mais havia a fazer.

Mas logo de seguida, já em cima do minuto noventa, o Porto d’Ave ainda reduziu através de Carlinhos, que se estreou a marcar com a camisola do Porto d’Ave e reacende a luta pelo menos pela divisão de pontos. Mas perante o cenário da margem mínima, o árbitro da partida manda levantar a placa de descontos assinalando três minutos, isto depois de terem sido efectuadas seis substituições na segunda parte além das entradas de ambos massagistas em campo. Até ao apito final não se verificaram mais alterações no placar, e o Porto d’Ave perde uma partida em que foi claramente superior ao adversário.

A época 2010/2011 chegava ao fim, e, apesar da derrota na última jornada, o nome do Porto d’Ave ocupa um lugar na primeira metade da tabela classificativa pela terceira vez consecutiva, igualando a sétima posição obtida na época anterior. Isso é o reflexo de muito trabalho e dedicação dum vasto grupo de pessoas que partilham as mais distintas tarefas. Cada um cumpriu a sua missão com maior ou menor empenhamento e produtividade, e não temos dúvidas em reconhecer como muito positivo o resultado final. Estão de parabéns todos que trabalharam para que mais uma vez o Grande Nome do Porto d’Ave saísse dignificado. Muito Obrigado a todos.
Mas importa destacar um factor que foi determinante para a forma brilhante que se reconhece em todo este percurso. Refiro-me aos dezanove golos apontados durante a época pelo jogador que vestia a Camisola Axadrezada com o número vinte nas costas, de seu nome, Fábio Pimenta. As vitórias nos recintos do Nine, Torcatense, Pevidém e Louro com um golo solitário deste jogador são apenas um exemplo do contributo que ele teve não só pela sua veia goleadora mas também cirúrgica, atendendo ao momento em que enviava a bola para o fundo das redes.Já das três vezes que conseguiu bisar numa partida para o campeonato, sempre no nosso recinto, apenas por uma vez a vitória foi alcançada, no jogo em que defrontamos o Terras de Bouro, e também aqui pela margem mínima. Nas outras duas obtivemos um empate a três bolas com o Louro e uma derrota contra o Marinhas. A estes números, podemos ainda juntar três golos incompreensivelmente anulados, um de livre no recinto do Santa Eulália e dois de cabeça contra o Arões, um em cada partida. No conjunto das duas competições, Campeonato e Taça da Associação de Futebol de Braga, defrontamos dezasseis adversários e apenas as redes da baliza de Polvoreira, Ronfe e Forjães não foram visitadas por uma bola enviada por este goleador. Também o Arões quererá reclamar um lugar entre estes, mas a verdade é que o Pimenta apontou golos a este adversário e não tem culpa que fossem deturpadas as regras de futebol. Os números não mentem, e há muito tempo que um resultado duma época do Porto d’Ave não dependia tanto da produtividade dum jogador. Parabéns Pimenta, essa "camisola fica-te a matar". Muito obrigado por seres do Porto d’Ave.






2 comentários:
Olá foi a 2ª vez que li a tua página e adorei imenso!Espectacular Trabalho!
Adeus
Hello trata-se a 1ª vez que li a tua página e adorei tanto!Espectacular Trabalho!
Adeus
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