O calendário do presente campeonato ditou que a primeira partida oficial do Porto d’Ave no ano 2011 fosse disputada à beira mar contra o líder da competição, o recém-despromovido F. C. Marinhas. Este nosso adversário tem vindo a percorrer a época de forma notável mantendo-se no topo da tabela classificativa desde a primeira jornada e isso contribuiu para que as bancadas se vestissem de adeptos da casa onde não faltou o som dos tambores a acompanhar as vozes de incentivo para dentro das quatro linhas, e foi perante uma bem composta e ruidosa plateia que a disputa pelos três pontos desenrolou sobre um sintético muito castigado estendido numa área que parecia não ter fim do magnífico Complexo Desportivo de Marinhas.
Mas se o nosso adversário contou com um grande apoio dos seus adeptos já a nossa equipa tem razões para se queixar. Ao contrário do propagandismo que nos é apregoado a toda a hora num tom socrásticamente indigesto, quiçá vomitável, nesta longa deslocação ao concelho de Esposende podemos constatar o preço da incompetência, compadrio e inúmeras situações cinzentas relacionadas com os nossos governantes que nos são comunicadas todos os dias numa linguagem judicial propositadamente indecifrável para o comum cidadão desta ex-independente nação. A hiper-inflação nos combustíveis aliada ao elevadíssimo custo das portagens foram factores que impediram a habitual adesão de adeptos do Porto d’Ave, e nem a saudade de assistir a uma partida de futebol pelo facto do campeonato ter sido interrompido em meados do mês de Dezembro devido às Festas Natalícias, nem a curiosidade de assistir à estreia dos anunciados reforços da nossa equipa que a comunicação social distrital tem dado conta pesaram mais do que os euros necessários para esta viagem, e a mobilização que seria de esperar para uma partida desta importância não se fez sentir. 
No onze inicial do Porto d’Ave constava o recém-chegado Castelar, um veterano experiente habituado a palcos dos campeonatos nacionais que aceitou o desafio de vestir a camisola axadrezada e vem reforçar o centro da defesa, um sector que além de Daniel que transitou da época passada contava com Neves e Leandro contratados antes do início do presente campeonato e também o jovem Cabreira, um jogador oriundo da formação do nosso clube que se tem revelado uma agradável surpresa, e apesar da se tratar da sua primeira época na equipa senior nunca acusou inexperiência realizando grandes exibições nessa posição. 
Também no sector mais ofensivo foi com enorme agrado verificar que a nossa equipa conta com um reforço de referência assinalável. Mota, que alinhava num clube do nosso concelho que em tempos já muito idos gozava de mais popularidade que o Porto d’Ave mas actualmente no número reduzido de adeptos que ainda conserva não é fácil encontrar um que conte menos de meio século de idade. Este médio ofensivo vestiu hoje pela primeira vez uma camisola mais honrada, uma realidade que embora a muito custo para alguns actualmente já ninguém recusa aceitar, e fez parte dos convocados desta partida alinhando nos últimos trinta minutos entrando para o lugar de Raul. Aos dois novos jogadores do Porto d’Ave, a administração do blogue endereça as boas vindas e deseja que sejam felizes com a Fonte do Chinês ao peito ajudando o nosso clube a conquistar muitas vitórias e dessa forma alcançar os objectivos traçados.
Quanto á partida de hoje, foi com olhos nos olhos que os nossos jogadores alinharam durante toda a primeira parte contra este poderoso adversário e mereciam chegar ao intervalo no mínimo com a igualdade no marcador, mas uma desatenção na defesa perto do minuto quarenta permitiu que um jogador do F. C. Marinhas se isolasse e na cara do guardião Abreu conseguiu levar a melhor abrindo o placar, resultado que se manteve até ao intervalo. Antes deste lance apenas há a registar duas grandes oportunidades para marcar, tendo a primeira pertencido ao Porto d'Ave. 
Apesar da desvantagem e da partida estar a ser desenrolada no reduto do líder da tabela classificativa, pelo que a nossa equipa tinha produzido na primeira parte adivinhava-se que ainda se ia assistir a uma enorme disputa pelos três pontos, mas depois do chá o nosso adversário demonstrou os argumentos que o tem levado a tão bons resultados e começava a criar oportunidades na tentativa de ampliar a vantagem. De forma mais tímida também a nossa equipa ia construindo algumas situações em que podia igualar a partida, mas já perto do minuto noventa acontece um novo erro, desta vez pelo fiscal de linha que não levanta a bandeirola numa jogada claramente em fora de jogo e o segundo para a equipa da casa surge na sequência desta má decisão que pode ter tido influência na atribuição dos pontos em disputa. Os nossos jogadores não baixaram os braços, mas depois de sofrer o segundo num lance à margem das regras de futebol e com a placa de descontos levantada de imediato era uma missão quase impossível pontuar nesta partida e o placar não sofreu mais alterações até ao apito final.
A equipa de arbitragem realizou um excelente trabalho durante quase noventa minutos, mas o erro que proporcionou o golo que arrumou com as aspirações do Porto d’Ave para esta partida foi grave demais para que não seja considerada uma prestação negativa. Esperamos, enquanto adeptos de futebol, que tenha sido apenas incompetência e não algo muito mais grave.
Na próxima jornada temos pela frente o Desportivo de Ronfe, um clube que ascendeu à mais alta divisão do futebol distrital juntamente com o Porto d’Ave na época 2007/2008 e também tem vindo a solidificar o seu nome neste escalão. Com uma vitória nessa partida o nome do Porto d’Ave ocupará uma linha na tabela classificativa acima deste adversário e fica com a possibilidade de terminar a primeira volta numa posição mais consonante com o valor dos nossos jogadores. Lembro que nas duas épocas anteriores impedimos que este adversário arrecadasse qualquer ponto no nosso recinto e esta é uma das tradições que devemos manter, mas para isso é necessária a ajuda de todos os adeptos para tornar mais fácil a tarefa da equipa dentro das quatro linhas, por isso todos temos que marcar presença na bancada do nosso Parque de Jogos no próximo Domingo e gritar bem alto o grande nome do Porto d’Ave.

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